Estudos Jornalísticos

terça-feira, agosto 30, 2005

[55] Notas do dia

1. Nas notícias sobre a suspeita de um caso de “gripe das aves em Portugal” encontro semelhanças com o denominado “Homem do Piano”. A dada altura, depois da história ultrapassar fronteiras ao nível do enigmático e até do surreal, em território luso já havia quem o conhecesse. Sem qualquer rigor jornalístico, ou princípios que fossem, entrevistou-se alguém que dizia ter visto uma pessoa parecida com aquela. Hoje, que se conhece a identidade do homem, ninguém foi tentar saber se a história do português que o tinha visto era mesmo verdadeira. Quando surgiram as primeiras notícias de gripe das aves na Ásia, há uns meses, não tardou a histeria: os repórteres foram para os aeroportos saber quem vinha nos aviões e para onde iam. E casos de gripe, normalíssima, têm honras de abertura de telejornais, e directos do hospital.

2. Na TSF, esta tarde: “Braga não confirma a vinda de Wender para o Sporting”. A “vinda”? Mas agora a edição de desporto é feita a partir de Alvalade? Fica a pergunta a quem quiser responder…

3. O furacão Katrina continuou a merecer natural destaque nas televisões. Para encher um minuto recorre-se constantemente a imagens de dias anteriores, sem qualquer contexto, sem qualquer justificação, sem qualquer lógica.

4. 20.58 horas. Foi o momento escolhido para a RTP noticiar que há 4 incêndios no país. Auto-regulação ou o fim da silly season?

segunda-feira, agosto 29, 2005

[54] O Ensino Universitário do Jornalismo

Segundo o professor Jorge Pedro, a qualidade do trabalho do profissional do jornalismo é decorrente da formação universitária. No ensino superior, destacou ainda, o jornalista adquire um conhecimento amplo do fazer jornalístico, assim como desenvolve novas possibilidades de sua atividade.O conferencista afirmou também a necessidade da formação específica em jornalismo. Disse que é preciso que os cursos de comunicação, habilitação em jornalismo se transformem em Cursos de Jornalismo e privilegiem, desde os primeiros semestres, disciplinas específicas e laboratorias do campo profissional. Questionado se esse formato não transformaria o Curso de Jornalismo em curso técnico, ponderou que a formação humanista referendada pela filosofia, sociologia, psicologia, antropologia e outras matérias, podem ser trabalhadas por meio de filosofia do jornalismo, sociologia do jornalismo oferecidas no decorrer do curso em sintonia com as disciplinas laboratoriais. Declarou que, neste formato, haverá um melhor aproveitamento tanto do campo teórico, das ciências humanas, quanto do campo prático, da atividade profissional que requer do jornalista um amplo e profundo conhecimento das ciências humanas, sociais e exatas.

Notícia aqui, via Jornalismo Online.

[53] Para que serve a edição on-line de um diário?

Do ponto de vista de um jornal diário, a criação de uma página na internet tem, fundamentalmente, dois objectivos:

1) permitir o acesso aos conteúdos do jornal por quem não faz intenção de o comprar nas bancas;
2) contornar essa dificuldade temporal que é dar as notícias de ontem.

Acontece, porém, que se a edição não for actualizada de acordo com as informações que vão surgindo, o site perde logo metade da sua importância, tornado-se num depositório das notícias impressas.
Mas, as maiores dificuldades surgem quando, como é lógico, o jornal actualiza informações. O que se deve fazer neste caso? A exemplo do Público, criar um canal no próprio site com as novidades de última hora. Caso contrário é o caos.
O site do Clube de Jornalistas salienta, a propósito da subsituição do guarda-redes do Sporting, duas notícias sobre o mesmo assunto, com títulos antagónicos. Um foi actualizado; o outro corresponde à edição impressa. Aconteceu no sítio do desportivo Record, que há dias proporcionou um caso semelhante, aquando da transferência de Miguel para o Valência. A dada altura o jogador Nelson era dado como contratado, mas abaixo aparecia um texto em que indicava que o lateral direito era uma "hipótese".
Em resumo: se não se actualiza, é apenas um jornal de papel virtual. Se é actualizado tem de ter cuidado com o que se escreve.

[52] "Jornalismo e Eleições Locais"

José Carlos Vasconcelos escreveu, há dias, num semanário local, um texto com o título acima mencionado, que não resisto a partilhá-lo com os leitores deste blog, uma vez que não existe ligação virtual ao artigo.
O jornalista aponta 5 ideias que, em seu entender, devem estar sempre presentes nesta altura de pré-campanha - e, dentro em breve, campanha - eleitoral.

1) Dar igual tratamento jornalístico a todas as candidaturas. Isto é: a facto ou evento igual, idêntica cobertura noticiosa; o mesmo critério na divulgação ou não das tomadas de posição dos candidatos e dos partidos (o que obviamente pode pressupor um juízo, falível, sobre a sua relevância), etc. A representatividade em termos locais e/ ou nacionais dos partidos e mesmo dos candidatos deve ser um factor de ponderação jornalística, para assegurar aquela efectiva igualdade, não para a pôr em causa;
2) Traçar um perfil (ou no minímo dar um currículo) o mais possível rigoroso e expressivo de cada um dos candidatos a presidente da Câmara, bem como pelo menos um resumo do essencial, concreto, dos programas das listas que encabeçam (digo "concreto" para o distinguir claramente das piedosas declarações gerais de intenção, que não dizem nada...);
3) Tentar obter as suas posições, concretas insisto, sobre o que se entenda serem os grandes problemas e aspirações da terra, a exigirem debate e solução, inclusive ou sobretudo os que não abordam nos seus programas;
4) Separar sempre, inequivocamente, os factos das opiniões, como é regra elementar do jornalismo. E, defendendo o pluralismo e o confronto democrático das opiniões (...);
5) A esta luz, e podendo acontecer que o leque de colaboradores habituais de um jornal seja muito maioritariamente (passe a expressão...) de certa tendência, o referido em 4) pode levar à necessidade de lhes pedir contenção, ou até a suspender a sua colaboração quando eles próprios sejam candidatos ou membros de candidaturas, participantes na pré-campanha e na campanha, e por sua própria iniciativa não a suspendam.

São ideias simples, elementares até. Mas nunca é demais relembrar que em todas as campanhas eleitorais há excessos, há erros e há, sobretudo, queixas de políticos.
Acrescentaria, talvez, um sexto ponto: a da rotatividade dos jornalistas que cobrem a campanha eleitoral. Um jornalista "colado" a uma candidatura torna-se mais sujeito a pressões. Cabe a cada um evitá-las, contornando-as, mas é evidente que isso nem sempre é possível.

quinta-feira, agosto 25, 2005

[51] Gramática na televisão

Aos poucos, os canais de televisão foram tendo cuidados especiais com a linguagem escrita nos rodapés, durante os serviços noticiosos. Depois de alguns excessos, regra geral quer RTP, SIC e TVI acertaram comportamentos gramaticais e os erros, se não acabaram, pelo menos são cada vez menos frequentes.
Mas se os rodapés, hoje essenciais num telejornal (embora seja discutível a forma como melhor aplicá-lo), cumprem a sua função de forma “natural”, em que um erro ou outro são desculpáveis, o mesmo não se aplica às citações debitadas no ecrã. Aconteceu hoje com as declarações do actual vereador da Câmara Municipal do Porto, Paulo Morais. A palavra “governos” ficou separada por “gov-ernos”. Não está em causa o serviço público de televisão. Trata-se apenas de rigor gramatical, impensável numa altura em que, principalmente os mais jovens, passam o dia a mandar mensagens sem qualquer rigor linguístico. São os “kolmis”, os “k”, os “jokas”, etc. A propósito, esta é uma curiosa transposição dos apontamentos tirados nas aulas universitárias para o dia-a-dia da troca de mensagens interpessoais. E esse é o principal problema: o que antes servia para facilitar a transposição de informações para o papel, é agora um meio rápido de pôr em comum, aplicado a toda a sociedade. Com consequências difíceis de observar, a não ser pelo tempo. E, esse, ninguém “komanda”.

quarta-feira, agosto 24, 2005

[50] Separadores

Desde há muito, pelo menos desde que os meios de comunicação social se tornaram empresas jornalísticas* que a publicidade tem o seu espaço próprio, separado da informação e completamente identificada como tal. Descontando os textos e imagens com mensagens publicitárias que são dadas ao consumidor como sendo informação, essa delimitação é saudável: é uma troca de benefícios entre as duas empresas (ou mais), é positivo para o leitor/ouvinte/telespectador, e, convenhamos, é uma mensagem diferente de tudo o resto.
Por não possuir a mesma missão (nem o mesmo rigor) da informação, o legislador destinou à publicidade um espaço separado dos serviços noticiosos.
A Lei n.º 4/2001 de 23 de Fevereiro, que aprovou a Lei da Rádio, identifica no artigo 44º que:

2 - Os espaços de programação patrocinados devem incluir, no seu início e termo, a menção expressa desse facto.

3 - Os programas de informação geral, designadamente os serviços noticiosos, não podem ser patrocinados.

4 - A inserção de publicidade não pode afectar a integridade dos programas, devendo ter em conta as suas pausas próprias, duração e natureza.

Como complemento, a Lei remete ainda para o Código da Publicidade, - Decreto-Lei n.º 330/90de 23 de Outubro(Com as alterações introduzidas pelos Decretos-Lei n.º 74/93, de 10 de Março,n.º 6/95, de 17 de Janeiro e nº61/97 de 25 de Março, n.º275/98 de 9 de Setembro) - em que se pode ler:

2 - A publicidade efectuada na rádio e na televisão deve ser claramente separada da restante programação, através da introdução de um separador no início e no fim do espaço publicitário.

3 - O separador a que se refere o número anterior é constituído na rádio, por sinais acústicos, e, na televisão, por sinais ópticos ou acústicos, devendo, no caso da televisão, conter, de forma perceptível para os destinatários, a palavra «Publicidade» no separador que precede o espaço publicitário.

Ontem, uma rádio nacional "esqueceu-se" destes pormenores e "permitiu" que o jornalista anunciasse os títulos do serviço de informação exactamente após um spot de publicidade. A empresa pode sempre alegar que o profissional apenas falou depois de começar a música que serve de base ao programa noticioso. Mas, existindo separador, e um claro respeito pelas normais legais, observadas pela rádio em causa há muitos anos, não seria de bom tom usá-lo?

* A que época se deve a noção de "empresa" ligada a meios de comunicação social? Quando se começou a introduzir publicidade? Ou antes?

segunda-feira, agosto 22, 2005

Auto-Regulação

Ponto prévio: a necessidade das televisões coordenarem as suas escolhas a diversos níveis só acontece pela inoperância de uma entidade como a Alta Autoridade para a Comunicação Social.
Cometeram-se excessos devido a um apetite pelo macabro. A História está cheia de exemplos destes, que levaram os media a prevenirem-se de arcar com eventuais culpas.
O "incêndio na televisão" está a ser debatido em larga escala, depois de estragos elevados. No fim da chamada "época de incêndios" chegam os indispensáveis documentários com imagens inéditas (ainda haverá?) e com pessoas a chorar em frente à câmera porque ficaram sem nada. A essas imagens também se pretende aplicar o regime de auto-regulação, ou o choro só não é passível de ser mostrado quando se trata de incêndios? Lá se vai metade da programação de alguns telejornais...
O grande problema da auto-regulação é quando ela parte dos políticos. A intromissão destes agentes só pode ser prejudicial, mesmo que partam para o assunto com boas intenções. A auto-regulação, se tiver de existir, tem de começar pela mente dos directores de informação. Que, por sua vez, têm de bater o pé às administrações que não têm o jornalismo e a informação credível como primeira opção. É isso que se espera de um jornalista. (Curiosamente, no filme "O Informador", que a RTP transmitiu ontem ao início da noite, é possível verificar de forma extremamente interessante a forma como se relacionam os jornalistas e as administrações - isto, claro, para além do tema mais importante daquela história: a protecção da fonte).
O deputado socialista Guilherme de Oliveira Martins escreveu na passada sexta-feira:

A auto-regulação na comunicação social volta à ordem do dia, a propósito das notícias sobre os fogos florestais. Ontem, oportunamente, o deputado Francisco Louçã lembrou a senhora pirómana que disse ter lançado fogo porque a sua aldeia não era falada na televisão. O exemplo merece séria reflexão. Compreendo que o Ministro da Administração Interna não queira fazer sugestões ou propostas relativamente aos noticiários sobre os fogos, neste momento. Manifesto, porém, aqui a minha total concordância com a proposta de Francisco Louçã. Tal como acontece no caso dos suicídios as imagens de labaredas incentivam os pirómanos. Este é um facto insofismável. Veja-se o que se passa nos Estados Unidos ou no Canadá... Aos órgão de comunicação social, livremente, caberá decidir...

quinta-feira, agosto 18, 2005

Perspectivas noticiosas

Diferentes formas de fazer uma notícia tendo por base um documento:

- no Público, Taxa de desemprego recua para 7,2 por cento no segundo trimestre
- no Diário de Notícias, Desemprego chega aos 7,2% no final de Junho
- no Jornal de Notícias, Região Norte lidera na taxa de desemprego

Apesar de não haver muita diferença entre Público e DN, o Jornal de Notícias optou por um destaque diferente. Sabendo de antemão que facilmente os dois primeiros jornais realçariam o número 7, 2 por cento, o JN fintou a concorrência: não é um jornal regional, mas as maiores vendas concentram-se no Norte. É histórica a dificuldade que o jornal tem em implantar-se em Lisboa, por exemplo.
Mas não terá sido essa a primeira motivação da jornalista quando redigiu a notícia. O que se espera de um periódico é que vá para além do óbvio e foi isso que Teresa Costa fez: não começou por referir o valor da taxa a nível nacional, mas comparou regiões e períodos de tempo.

quarta-feira, agosto 17, 2005

De volta à blogosfera...

Com três dias de atraso, reparei que o Indústrias Culturais está de regresso, com a mesma pertinência de sempre, como atestam os posts mais recentes. Ainda bem!

Leads (4)

Dois. Apenas dois homens em cima do palco principal de Paredes de Coura declararam aberta a sequência de três dias de concertos do festival, ontem, às 19 horas. Dois indispensáveis. Tudo mais seria exagero - chamam-se Death From Above 1979, perfeitos anónimos para a maioria da assistência, e foram a dose certa para efundir espíritos em aquecimento para os derradeiros Foo Fighters.

Notícia
Cláudia Luís, Jornal de Notícias, 17 de Agosto de 2005

Da tradução ou da falta dela

Em rádios dedicadas apenas à divulgação musical, com uma audiência jovem e minimamente culta, acontece muitas vezes o seguinte: uma entrevista é gravada previamente com um determinado cantor/ compositor/ membro de uma banda estrangeira. Na hora de reproduzir a conversa, regra geral, o locutor opta por “partir” a entrevista em vários blocos e antes de os lançar, faz um pequeno resumo sobre aquilo que vai dizer o sujeito dentro de segundos. E a entrevista corre "livremente" sem qualquer tradução "por cima". "Já estava feita".

A situação é mais grave quando se trata de um noticiário e de uma estação de rádio generalista e, mais, pública. Aconteceu ontem, a partir do cenário de Paredes de Coura, local de mais um Festival de Verão. Como é natural neste tipo de eventos, principalmente nos mais mediáticos, afluem pessoas de várias zonas do país e do estrangeiro.
O repórter da RDP, por sinal bastante competente e de reconhecidas capacidades jornalísticas, construiu uma peça sobre as últimas horas antes do início do festival. No trabalho, o jornalista recolheu sons do ambiente (recorreu à água do rio para “ilustrar” uma conversa com uma “festivaleira”, que tomava banho naquele momento, por exemplo), descreveu cenários e registou apontamentos. Neste capítulo, falou com dois estrangeiros: um italiano e um espanhol. Sem os traduzir. Confesso que do último ainda consegui entender algumas palavras. De italiano nem pensar. De notar que quando se vai na estrada nem sempre é possível ouvir com clareza total. Mas um jornalista de rádio deve ter sempre isso em atenção.
Encontro uma razão para o sucedido: a reportagem foi pensada para a Antena 3 e não para o primeiro canal. No entanto, mesmo que fosse para o registo mais "light" da 3, justificava-se a tradução, ainda que fosse desculpável. Para a Antena 1 é inadmissível.

terça-feira, agosto 16, 2005

Provedor do Espectador

Mais do que necessário, a RTP prepara-se para criar a figura do Provedor do Espectador, segundo a notícia de hoje do Diário de Notícias. A confirmar-se, trata-se por si só de uma boa notícia, faltando apenas saber quem ocupará o cargo e em que moldes. Obrigatoriamente, terá de ser alguém com experiência no meio televisivo, que até tenha estado nos quadros da RTP ao longo da carreira, e que tenha capacidade reconhecida entre os seus pares.
O DN lança algumas pistas do que poderá ser o Provedor do Espectador.

No próximo Outono, o provedor deverá iniciar um programa semanal de 15 minutos na rádio e na televisão, em que apresenta as suas avaliações e opiniões e responde às queixas e sugestões dos espectadores e ouvintes. Segundo uma fonte da RTP, o modelo de programa está já a ser pensado. "A ideia é fazer uma coisa viva e não um monólogo do provedor", sintetizou. Até por isso, no perfil da pessoa a ser escolhida, a telegenia e comportamento perante as câmaras são critérios a ter em conta.

Volta a Portugal - Reflexões

Agora que a (pouca) euforia da Volta a Portugal em Bicicleta terminou, há uma ideia que deve ser destacada como exemplo de mau jornalismo: o excesso de valorização do português Cândido Barbosa. O "nacionalismo suave" está muito em voga, como se vê quando a selecção de futebol joga, e neste caso, ninguém teve coragem para fazer o contrário. Isto é, nos últimos dois, três dias da competição, a maioria dos leads - mais na televisão do que noutros meios - começavam com a referência ao português. O russo foi apresentado como um "intruso" que vem tirar a vitória ao "querido" luso. A presença da família de Cândido na etapa derradeira só demonstrou essa vontade "colectiva" de ver "vencer" um português. A imagem da esposa e dos filhos num dos cantos do ecrã serviu não como mote informativo mas apenas para realçar o "espírito humano" do ciclista.
Depois, confesso, não sei se houve entendimento por parte dos dois corredores, ou se a RTP o fez deliberadadamente: o vencedor da Volta só falou depois de Cândido Barbosa. Deve ter sido a primeira vez em Portugal que o vitorioso mereceu menos honras de destaque que o segundo classificado.

Nota: não está aqui em causa o valor e a capacidade profissional dos ciclistas. Cândido Barbosa é um excelente atleta, como se viu durante quase todas as 10 etapas da Volta. O russo, para além de vencer, demonstrou que não ficou atrás do português em termos de qualidade. O destaque negativo vai para a generalidade dos órgãos de informação que apostaram claramente num ciclista em vez de se preocuparem com a sua principal função: informar. Pois claro.

Agradecimento...

...ao autor de A Rádio em Portugal pela inclusão de um link para este blog.

sexta-feira, agosto 12, 2005

Efimkin, Efim-kin, Efkin

A Volta a Portugal em Bicicleta tem três líderes. Há dias, a RTP assegurava que "Efimkin" liderava a corrida, na mesma altura em que a SIC dava como garantida a camisola amarela ao russo Vladimir "Efim-kin". Como não há duas sem três, na rádio há quem o identifique como sendo outro corredor: um tal de "Efkin"...

quarta-feira, agosto 10, 2005

Frequências adicionadas

Comunicação Social, A Rádio em Portugal, Net FM, A Minha Rádio, Mundo da Rádio, Rádio Crítica, Instituto Estudos Jornalísticos.

Leads (3)

Houve um suspiro de alívio quando, pouco depois das 05.00 da manhã locais (13.00 em Lisboa), se ouviram os dois estrondos sónicos sobre a base área de Edwards, no deserto do Mojave, 145 quilómetros a norte de Los Angeles. Ao fim de duas semanas no espaço, a nave Discovery tinha ultrapassado a fase crítica de reentrada na atmosfera e dentro de minutos desceria na pista 2-2. A operação teve de ser transferida do Centro Especial Kennedy (na Florida) para a base Edwards (na Califórnia) devido ao mau tempo, o que teve custos suplementares entre 750 mil a um milhão de dólares.

Notícia
Manuel Ricardo Ferreira, Diário de Notícias, 10 de Agosto de 2005

terça-feira, agosto 09, 2005

A Magia da Rádio

António Craveiro, CEO Media Capital Rádio, em entrevista ao Diário de Notícias:

O mercado rádio crescerá lenta mas incontornavelmente. Temos de ser pacientes e perceber que os operadores são parte activa deste processo de crescimento. À semelhança do ocorrido em mercados maduros onde de um peso esmagador das televisões se passou a um mix de media equilibrado, também em Portugal este movimento é inevitável e terá reflexos muitos positivos.

Tenho algumas dúvidas sobre se a rádio vai ser mais importante no futuro do que é hoje. Este tem sido um meio sobrevivente, mas tal como está, não me parece viável. Só é possível expandir o meio se este se adaptar, principalmente, à internet. E se permitir alguma (mais) interacção ao ouvinte.
A rádio, como está, vai-se aguentando, mas não garante que daqui a 10, 20 anos, funcione tal como hoje. Uma pequena sondagem, permitiria concluir que o número de pessoas a ouvir rádio em casa diminuiu para níveis incríveis! O problema é que as pessoas "só" ouvem no carro. Mesmo em locais em que funciona apenas como companhia, a rádio não consegue fidelizar comportamentos. A televisão, pela facilidade concedida pela imagem, tem essa faceta. Se estivermos num café e nos aparecer no ecrã um spot promocional de um determinado programa, a nossa tendência é para memorizarmos a hora, para o podermos ver. Na rádio isso não funciona, pelo menos com mesma frequência.
A tecnologia digital pode trazer adeptos, aumentar as frequências, facilitar a introdução de estações para públicos ainda mais específicos. Mas se pensarmos que a televisão "rouba" a maioria da publicidade, que a internet cresce a olhos vistos, e que no final ainda existe a imprensa, outdoors, cinema, etc., qual o destino da rádio?
Como disse em cima, a rádio é uma sobrevivente. Aguentou as grandes quedas e vai continuar a ser uma referência. É esse o verdadeiro "bichinho da rádio". É a magia.

segunda-feira, agosto 08, 2005

Leads (2)

Andava sempre com um boné de pala, com pinta de ser tão velho quanto o dono. De há uns anos para cá era vulgar vê-lo de óculos. Por baixo do nariz, um bigode farfalhudo, tão velho e grisalho quanto o mais terno dos boleros. Quando cantava, a boca quase não se mexia, que os boleros cantam-se baixo e em sussuro. Tinha 78 anos, e foi há menos de uma década que voltou a cantar - aquilo que mais prazer lhe dava, a ele e aos outros, os que lhe compravam os discos e enchiam salas para o ouvir. Tinha 78 anos. Chamava-se Ibrahim Ferrer e morreu sábado, ao fim do dia.

Notícia
João Bonifácio, Público, 8 de Agosto de 2005

"Há uma atitude natural no jornalismo?"

A não perder de vista o artigo assinado pelo professor universitário André Veríssimo, no Primeiro de Janeiro de ontem. Aqui.

O conhecimento jornalístico tem necessidade de um policompetência nestas diferentes autoridades e, sobretudo, duma apreensão das interacções e da sua natureza sistemática. Os sucessos da ciência da comunicação mostram-nos que, contrariamente ao dogma da hiperespecialização há um conhecimento organizacional global, que é o único capaz de articular as competências especializadas para compreender as realidades complexas.

sábado, agosto 06, 2005

O Jornalismo Narrativo (7)

José Manuel Fernandes conta no Público, a propósito dos 60 anos desde o lançamento da primeira bomba atómica, esta interessante perspectiva daquilo que se pode chamar de "jornalismo anti-narrativo":

A dimensão da tragédia cedo foi apreendida. a edição de 31 de Agosto de 1946 da New Yorker (no primeiro aniversário da bomba) rompe todas as regras: as habituais secções e rubricas são suprimidas para dar lugar a uma única reportagem, "Hiroxima", do jornalista John Hersey, que cobriu a guerra para a Time. Limita-se a relatar a experiência de seis sobreviventes, sem emoção e sem estilo literário porque, disse, não queria fazer de mediador entre as personagens e o leitor, que deveria assumir a responsabilidade da interpretação. A reportagem teve repercussão universal. Foi republicada em todo o mundo e saiu imediatamente em livro, ainda hoje reeditado.

sexta-feira, agosto 05, 2005

Leads (1)

Foi um dia dantesco. O fumo expelido pela floresta ardida viajou até diversas cidades, entranhou-se nelas. E ao princípio da noite ainda estavam empenhados em acções de combate, rescaldo e vigilância de incêndios 2709 bombeiros, apoiados por 791 veículos e 21 meios aéreos. A Polícia Judiciária deteve três indivíduos suspeitos de fogo posto.

Notícia
Ana Cristina Pereira, Público, 5 de Agosto de 2005

quarta-feira, agosto 03, 2005

"Mensalão" visto pelo DN e JN

O Público destaca, em primeira página, o suposto envolvimento da Portugal Telecom no caso "mensalão", que está a abalar a alta política brasileira. Curiosamente, DN e Público relatam o mesmo acontecimento. O primeiro jornal não achou por bem destacar a acusação de Roberto Jefferson (deputado federal), mas o segundo faz capa com a história, tendo inclusive escutado uma fonte oficila da operadora de telecomunicações, que negou esse suposto envolvimento.
O jornalista do Diário deixa, no entanto, uma escapatória com "à hora do fecho desta edição, a sessão ainda decorria".
Mas, no Jornal de Notícias, on-line, não consegui ler qualquer relato da história.

Auto-censura?

Portugal visto de fora

A notícia do "Sunday Telegraph", e amplamente difundida por todos os canais de televisão, rádio e imprensa escrita, mostra um país que não consegue fazer valer a sua qualidade fora dele.
A vontade se sermos reconhecidos por alguma coisa, mesmo que seja "má", leva a exultar com todas as notícias escritas por "outros", "os de fora", "os que sabem". Porque realmente sabem.

Últimos acontecimentos que abalaram Portugal por terem sido notícia na imprensa estrangeira?

"Bons" acontecimentos:
- Expo 98;
- Euro 2004;
- Vitórias do FC Porto nas duas maiores competições do futebol europeu;
- ...

"Maus" acontecimentos:
- Casa Pia;
- Realidade Económica;
- Excessos portugueses;
- O "Arrastão";
- ...

São alguns dos exemplos mais conhecidos.
Principalmente no desporto, há jornais que fazem um apanhado do que outros periódicos estrangeiros escreveram sobre determinada equipa portuguesa.
Vivemos num tempo em que a identidade funciona como mola, em que se procura constamente espelhos que a ajudem a compreender-se. Neste caso, Portugal tem a auto-estima em baixo, mas só o facto de se falar no país é motivo para um sorriso alegre, que quase abre telejornais.
A notícia em causa não revela nada de novo. Daí que, na minha opinião, não justifica todo o alarido. Um jornal inglês escreve sobre o IP5? Sim, e depois?

Escreve Miguel Gaspar:

Noticiado ontem na televisão, o caso do IP5 não é único. Na véspera, a TVI incluiu no Jornal Nacional uma peça sobre a repercussão da seca em Portugal nos media mundiais. A peça explicava que o país é referido cada vez mais frequentemente por causa da seca e dos fogos. E é verdade. E isso vê-se não só quando há notícias sobre a seca em Portugal mas sobretudo pelo número de vezes que a situação no País é referida em enquadramento sobre notícias em outros países. Acontece assim em vários canais de notícias que podem ser vistos em Portugal. A peça da TVI tinha, no entanto, um defeito não especificava quais os media, em concreto, que falam de Portugal nesses termos. Como se, para o povo da audiência, o "estrangeiro" fosse um lugar suficientemente bem definido no mapa, para que se perca tempo com minudências.

segunda-feira, agosto 01, 2005

Fim de férias

O Blogouve-se, do João Paulo Meneses, regressou de férias para mais uma temporada de análises, algumas apaixonadas outras nem por isso, mas sempre interessantes e pertinentes.

O fim dos operadores de câmara?

Telemóveis transmitem em directo para a televisão

Lê-se hoje, no Público, que "o canal público de televisão regional de Valência, RTVV, pretende transformar o tradicional modo televisivo de cobrir um acontecimento, recorrendo apenas a um jornalista que, com um telemóvel de terceira geração, faz a cobertura completa dos acontecimentos".

Outro blog

Com o fim dos respectivos jornais, um colectivo de jornalistas d´O Comércio do Porto - que fiz referência ontem - e da Capital tentam exprimir emoções e razões para o sucedido. O sítio de A Capital é este jornalacapital.blogspot.com.