Estudos Jornalísticos

quinta-feira, setembro 29, 2005


[81] A reportagem de “A Europa e o Terrorismo Global” – 4
Intervenção de Issam Sadek Besseisso


Currículo:
delegado geral da Palestina em Portugal

Foi um dos mais aguardados discursos da tarde e o introdutor da discussão sobre a definição da palavra “terrorismo”.

O terrorismo não tem uma religião associada. Quem é que ajudou os muçulmanos no Afeganistão a lutar contra a União Soviética? Os Estados Unidos. Porque é que o Irão não tem direito a armamento nuclear? Israel tem 2500 bombas nucleares!
A palavra “terrorismo” é todo o género de violência que atinge civis. Direito à resistência é legítimo, desde que seja feito contra militares.
Os palestinianos não pretendem que a sua causa seja ligada ao terrorismo. Recusamos todos os apelos que tenham como objectivos criar problemas.
Mas porque não considerar terrorismo aquilo que Israel faz? Porque se fica apenas por uma simples condenação? Temos direito à resistência. Não é crime quando é luta armada, de ocupação por forças estrangeiras. Caso contrário, o povo americano nunca teria conseguido a independência face aos britânicos.
O problema está na definição de terrorismo dos Estados Unidos, que dividiram o mundo em “bom” e “mau”. Não há razão para não considerar terrorismo uma ocupação.



ACTUALIZAÇÃO - Jornalismo Local Em Tempo de Eleições

quarta-feira, setembro 28, 2005


[80] A reportagem de “A Europa e o Terrorismo Global” – 3
Intervenção de Ely Karmon


Currículo: professor universitário, especializado em terrorismo nternacional, questões estratégicas do médio oriente, racismo e anti-semitismo

“A Europa não estava preparada para lidar com o terrorismo”. Esta é uma das frases mais fortes do seu discurso. Começou por se apresentar em português mas optou por fazer a sua comunicação em inglês. Karmon focou aspectos históricos que, em seu entender, concorreram para os problemas actuais relacionados com o terrorismo.

Os atentados na Europa tiveram um impacto tremendo, a partir dos quais os muçulmanos foram martirizados. No entanto, o assassinato do realizador holandês teve mais impacto porque abriu um debate sobre multiculturalidade, emigração, etc. Estas são questões que vão influenciar o debate político dos próximos anos.
Antecedentes históricos que influenciam hoje:

1. a revolução iraniana, em 1979
2. a vitória das organizações radicais sunitas contra a União Soviética
3. em 1986, 13 bombardeamentos no centro de Paris, por libaneses e liderados por um tunisino.

O primeiro ataque a Nova Iorque foi em 1993. Vivemos há muitas décadas sob a ameaça do terrorismo. Há coisas que estão bem patentes mas não pelos políticos. Em meados de 90, a guerra na Bósnia teve muita influência para o que se havia de desenrolar anos mais tarde.
A base de ataque do 11 de Setembro foi construída por uma célula espanhola, sem a qual não seria possível. Os dois pilotos vieram da Europa.
A Itália, Milão é palco de radicais, onde existe um centro islâmico desde 1995. Só há dois anos é que o imã foi preso. A Europa não estava preparada para lidar com o terrorismo.
No Iraque, há hoje uma cultura de tentar isolar os EUA, tal como aconteceu com o Afeganistão, em 1979. Os terroristas usam o pretexto do “Iraque livre” para justificarem as acções, mas são também contra os próprios iraquianos. O que vimos em Londres e em Madrid é o revitalizar da actividade. Porque não atacaram na capital britânica em Maio, aquando das eleições legislativas, tal como aconteceu em Espanha? Simplesmente porque não tinham meios. Meses antes foram detidos 8 paquistaneses, com 500 quilos de explosivos.
Não é fácil actuar de acordo com o que disse Zuhair.
Corre-se o risco de limitar as liberdades civis. A Austrália, por exemplo, onde estive há pouco tempo, está a estudar mudar toda a legislação. É isso que eles querem. Devemos ser muito cuidadosos, já que eventuais limitações devem ser feitas num tempo determinado.
Em Setembro de 2004, em Beirute, uma reunião anti-globalização aprovou uma decisão de legitimar a luta contra a Globalização usando bombas suicidas e possibilitava a colaboração com células islâmicas radicais. E isso foi aceite! Não devemos voltar aos anos 70.
Uma outra ameaça é o terrorismo iraniano – a energia nuclear. O Irão continua a enriquecer o processo de energia nuclear. Além disso, há recrutamentos oficiais para bombistas. Os anúncios são colocados nos próprios jornais. E há 40 mil bombistas para atacar Israel, o Iraque, etc.


ACTUALIZAÇÃO - Jornalismo Local Em Tempo de Eleições

[79] Economia dos Media em debate na Dois

A nova paisagem mediática nacional resultante da venda dos títulos da Lusomundo Media à Controlinveste é o tema do próximo programa do Clube de Jornalistas, a transmitir na RTP Dois, na próxima 4ª. feira, 28 de Setembro, às 23 e 30, com repetição no dia seguinte, às 15 e 30. Com moderação de Estrela Serrano e participação em estúdio de Vicente Jorge Silva, José Rocha Vieira e José Manuel Barroso, o programa conta com depoimentos do director do jornal A Bola, Vítor Serpa e do sub-director do jornal Record, António Magalhães.

[78] Até onde pode ir a publicidade nos jornais?

A manhã chegou e com ela o azul. Os quiosques foram inundados de jornais com aquela cor, associado a uma campanha publicitária. Até os desportivos, que numa manhã que poderia ser de vermelho (afinal o facto do dia é o jogo entre dois clubes que usam esse tom nas camisolas), cederam à tentação.
A primeira página é a montra de um jornal. Até aqui nada de novo. Cada administração procura assegurar os melhores contratos possíveis para viabilizar projectos jornalísticos que tem entre mãos. Isso nunca poderá estar em causa porque a legitimidade é de quem os dirige e não de quem os adquire nas bancas. Contudo, em relação ao jornal Público, o único em que concentrei atenção especial, parece que houve um exagero. Da relação entre publicidade e jornalismo já muito se escreveu. Sou da opinião que entre uma e outra, o pensamento que deve presidir é o de que a publicidade é que deve sujeitar-se aos critérios da publicação periódica e não o contrário. Porque esta última tem uma responsabilidade social maior do que a primeira. E não se pode dizer simplesmente que o órgão de informação é uma empresa como as outras. Não é.
A operadora comprou uma folha inteira: quatro páginas. Uma delas, a última, estava consagrada a uma pequena notícia e a banda desenhada. Com a publidade, tudo isso desapareceu. O poder da campanha foi mais forte que a direcção do jornal. Além disso, parece-me mais grave, o fundo azul que acompanha a página 2 é, no mínimo, ridículo para um jornal de referência. Dá a ideia de que a notícia só surge por causa da publicidade. Claro que não é verdade (caso contrário, o Público perderia a credibilidade que tem), mas era escusado ter acontecido isto.
Em suma: não me agrada que a montra de um jornal seja alterada por critérios publicitários, mas compreende-se perfeitamente. Evitável era a exclusão de artigos em favor da campanha e a manutenção do azul sob as notícias.

terça-feira, setembro 27, 2005


[77] A reportagem de “A Europa e o Terrorismo Global” – 2
Intervenção de Zuhair Al Jezairy


Currículo: jornalista iraquiano e produtor de filmes televisivos; até há uma semana, director do jornal iraquiano “Al Mada” e escreve diariamente no “La Internazionale”.

O jornalista falou essencialmente da sua experiência enquanto cidadão iraquiano. No seguimento da apresentação, Carlos Magno deixou no ar algum mistério a propósito da sua saída de Bagdad para estar presente na Feira. “É um privilégio ter uma pessoa como ele entre nós”, afirmou.

Vivi quase dez anos a ameaça do terror, em Beirute. A mensagem do terrorista é: este é um lugar perturbado. O que gera um mundo de ansiedade e apreensão. Passados 20 anos, na minha terra, Bagdad, estamos debaixo de uma cultura de violência. E não há forma de evitá-la. A classe média tenta difundir a cultura da tolerância, motivamos as pessoas para que façam manifestações para se oporem contra as más estradas ou contra o Governo. As eleições foram importantes porque a mensagem que passou foi a de que há outro caminho. Muita gente teve medo que houvesse explosões junto às urnas, mas mesmo assim foram votar 8 milhões.
Há uma resistência de atingir e fugir, mas o quadro que vêem na comunicação social é o quadro geral do Iraque. As pessoas habituaram-se a viver assim. Temos de levar a vida para a frente de forma pacífica.

[76] Jornalismo Local Em Tempo de Eleições – 02

As regras políticas não se assemelham às jornalísticas. Nem podia ser. Os dois entram em ebulição porque um pretende que a mensagem seja toda transmitida, e o outro tem de seleccionar e, numa decisão para a qual concorrem vários factores, apresentar o que considera ser o mais importante.
E o que é o mais importante? Naturalmente não tenho respostas definitivas. Ainda assim, há aspectos como a novidade, a surpresa, o imprevisto, que têm de ser levados em conta. Principalmente numa campanha eleitoral.
Num jornal local, semanário, por exemplo, a aplicação destes critérios é ainda mais complicada de fazer. Ou seja, há toda uma semana de eventos, de comícios, de visitas a feiras, para além de conferências de imprensa sobre assuntos tão diversos entre si, que obrigam a um esforço redobrado para cortar o acessório e concentrar no essencial. No fundo são trabalhos de todos os dias, mas que nesta altura ganham uma ênfase demasiada elevada.

segunda-feira, setembro 26, 2005


[75] A reportagem de “A Europa e o Terrorismo Global” – 1

Como Estudos Jornalísticos informou aqui, decorreu no passado sábado, dia 24 de Setembro, uma conferência intitulada “A Europa e o Terrorismo Global”, incluída no IV Simpósio “Sete Sóis Sete Luas”, em Santa Maria da Feira.
A iniciativa juntou à mesma mesa seis personalidades muito diferentes entre si: Zuhair Al Jezairy, Issam Sadek Besseisso, Ely Karmon, Rui Pereira, Guliana Sgrena e Piero Luigi Vigna. Para a maioria das pessoas presentes acredito que o principal interesse da conferência residia na jornalista raptada no Iraque. Ainda assim, o evento valeu sobretudo pela inteligência das apresentações e pela capacidade que cada um dos oradores teve em não repetir argumentos do anterior. Isto mesmo foi destacado por Rui Pereira, que teve o ensejo de terminar a primeira parte do encontro. Foi um debate marcado essencialmente pela questão do Iraque, mas não só. Uma das questões que mereceu a atenção de quase todos os conferencistas foi a definição de “terrorismo”. Nos anos 70 havia, segundo Piero Luigi Vigna, 230… O autor deste blog esteve lá e até ao próximo domingo vai relatar o que de mais importante foi dito por cada uma das personalidades. A respeitar a ordem de entrada, supervisionada por Carlos Magno, moderador cativo de Santa Maria da Feira.

[74] Jornalismo Local Em Tempo de Eleições - 01

Com o início oficial da campanha eleitoral marcada para amanhã, no Estudos Jornalísticos começo hoje uma série de artigos relacionados com o tema. De tudo o que rodeia uma campanha eleitoral, interessa-me fundamentalmente discutir a relação dos jornalistas com diversos elementos da máquina política.Como ponto de partida, e quase como declaração, devo informar os hipotéticos leitores deste blog que durante o período eleitoral vou acompanhar, em termos profissionais, a campanha de um partido que é oposição ao actual executivo. O partido e as pessoas que o compõem localmente não são relevantes, pelo que não irei mencionar. E também não vou incidir a minha análise apenas a este partido. Antes de mais, estes textos devem ser lidos tendo em conta uma perspectiva sempre pessoal. O autor deste blog está em constante aprendizagem, pelo que sugestões e/ou comentários são encorajados, até para enriquecer o debate.
Os textos podem ser lidos, de forma sequencial, num ramo deste blog.

sexta-feira, setembro 23, 2005

[73] Novamente a série "24"

Tal como já havia escrito aqui, a Dois prepara-se para exibir a série "24", a partir desta noite. Sob o título "Expedientes desnecessários", o jornalista do Público Carlos Pessoa glosa sobre o mesmo assunto, em especial pelo facto da direcção de programas sugerir que tal vai decorrer exactamente em "24 horas".

"Nem a transmissão é em contínuo, como se afirma, (...) nem serão 24 horas de acção, pois cada episódio é de apenas 40 minutos, num total de 16 horas de emissão."

quinta-feira, setembro 22, 2005

[72] Autopromoções...

Profissionalismo é a palavra de ordem da nova direcção do DN - no Diário de Notícias...

[71] Concordo plenamente

Sinalética televisiva: auto-confusão em vez de auto-regulação
Classificação de programas TVI: TODOS, +10 (AP), +12 (AP), +16, +18. (AP) : aconselhamento parentalClassificação de programas SIC: Infantis, -8, -12, -16Classificação RTP: (?) Espera-se que, pelo menos, não seja qualquer coisa como: +4, -8, +13, -18...Teria sido um tudo nada inteligente não avançar sem auto-regulação e concertação sectorial. As auto-regulações feitas à revelia dos parceiros sectoriais não são boas conselheiras... É, aliás, ao regulador que cabe pilotar estes processos, de modo a haver alguma coerência nas iniciativas de auto-regulação.

em Irreal TV

[70] Obrigado...

...ao João Paulo Meneses pela inclusão no seu Blogouve-se de um link para este sítio.

segunda-feira, setembro 19, 2005

[69] Comparação

A propósito da tese de Nuno Goulart Brandão, "Os Telejornais da Televisão Generalista Portuguesa - importantes encontros quotidianos com a actualidade e para a construção social da realidade", interessante a forma como dois jornais deram a notícia.

DN - Telejornais da RTP, SIC e TVI obedecem a lógica comercial
JN - "Há excesso de futebol nos telejornais generalistas"

Questões que têm de ser feitas: porque é que se dá destaque a certas teses de doutoramento? Que critérios estão associados? E se algum jornalista se deu ao trabalho de ler o que escreveu Nuno Goulart Brandão?

[68] Depois do jogo terminado, o árbitro ainda pode expulsar um jogador...

Deveria a SIC Notícias ter acrescentado esse post scriptum audiovisual? Afinal, os candidatos já tinham concluído a sua performance pública. Mas se a estação não tivesse apresentado as imagens (e fê-lo meia hora após o debate), o episódio teria corrido por aí sob a forma sucessiva de conversa de café, post na blogosfera e notícia de jornal. E toda a gente acusaria a SIC Notícias de censura.

Miguel Gaspar, DN

sexta-feira, setembro 16, 2005

[67] O debate

A forma como os media televisivos trataram a notícia do debate entre Carmona e Carrilho é o exemplo perfeito de que os factos têm mais variáveis do que aqueles que se julga.

quinta-feira, setembro 15, 2005

[66] Dois Quatro

Para além de fracas audiências, a Dois vive agarrada a documentários constantemente repetidos e a séries já vistas. A situação chegou a tal ponto que um documentário exibido na terça-feira, pode ser visto na sexta. O "Magazine", claramente um flop, está enconstado às primeiras horas da madrugada, e a programação é muitas vezes alterada por razões incompreensíveis.
A notícia, divulgada ontem, de que a estação vai transmitir a série "24" em dois dias "numa adaptação inédita ao formato", vem mostrar que não há uma coerência lógica no trabalho desenvolvido naquela televisão. A notícia não indica qual é a versão que vai passar no ar (se alguém souber, que me diga), mas desconfio que será uma que já foram exibidas. Tendo em conta que esses dias são sexta-feira e sábado, cada vez encontro menos explicações para tal decisão.
O trabalho jornalístico esgota-se num programa de debate ("Parlamento") para onde os partidos enviam políticos disponíveis, e no "Jornal 2". O "Por Outro Lado" é interessante, mas não me apetece catalogá-lo de "jornalismo".
Quando RTP, SIC e TVI são acusadas de repetir programas durante o Verão para poderem promoverem-se em Setembro - é a teoria do "durante Agosto ninguém vê televisão" -, a situação é muito mais grave na Dois porque, acredito, a esmagadora maioria dos espectadores só a liga para ver determinado programa. Fora isso, preferem o cabo ou os restantes canais de sinal aberto. Até porque, tendo como base a teoria "durante Agosto ninguém vê televisão", quando se repara nas novidades que cada tv tem para oferecer e depois se compara com a Dois, não é possível evitar um sorriso amarelo, quase de compreensão. Perdoai-lhes que a culpa não foi deles...

terça-feira, setembro 13, 2005

[65] Compromisso Pré-Eleitoral

O Público vai por isso centrar a sua cobertura mais na diversidade das 308 eleições do que nas campanhas dos líderes, ao mesmo tempo que aproveitará para destacar bons e maus exemplos de gestão municipal, que acompanhará com mais atenção os grandes municípios, aqueles onde se disputam corridas mais renhidas ou onde as tais candidaturas independentes estão a baralhar as contas dos partidos.

Editorial de José Manuel Fernandes, no Público.

segunda-feira, setembro 12, 2005

[64] Praça da Alegria

O "Praça da Alegria" surgiu num contexto muito particular da história da televisão. Há dez anos, a TVI andava pelas ruas da amargura, e a única verdadeira concorrência vinha de Carnaxide. O que a RTP fez foi atirar no escuro. E com bons resultados. À época, o hórário do meio dia estava consagrado a telenovelas de êxito mais ou menos garantido, remetidas pela Globo. Com o aparecimento da Praça da Alegria, com entrevistas a personalidades de vários locais do país, das diversas instituições, criou-se uma espécie de rede de espectadores, muito à custa de gente anónima. Essa foi a verdadeira mola de arranque para o sucesso.
E como se mede o sucesso uma década depois? Precisamente pela concorrência. Quer a SIC, quer a TVI adaptaram o modelo "Praça da Alegria" a outros formatos.
Hoje, o conceito que presidiu à elaboração do "modelo" está esgotado e não sobreviveria se não incluísse outras "manobras de diversão". Músicos, comediantes, prémios. Coisas simples que fazem um bom programa para donas de casa, mas não só.

[63] Clube de Jornalistas de regresso mas com novo dia semanal

Um programa dedicado aos Prémios Gazeta, na quarta-feira, 14 de Setembro, é o primeiro do CJ na TV depois das férias. Por conveniência de programação da nova grelha da RTP 2, o CJ na TV será emitido às quartas-feiras, mantendo-se o horário habitual: 23 e 30.

quinta-feira, setembro 08, 2005

[62] GES e Expresso

No Negócios que

A Alta Autoridade para a Comunicação Social (AACS) deu razão tanto ao Grupo Espírito Santo (GES) como à Impresa no diferendo originado por uma notícia no «Expresso» sobre o alegado envolvimento do BES no escândalo brasileiro do «mensalão».

[61] Recortes de Jornal (1)

"Sodoma e Gomorra" (sem ligação ao texto)
José Pacheco Pereira compara, no Público, o tratamento informativo das televisões em relação a dois acontecimentos "semelhantes": o furacão Katrina e o tsunami que abalou a Ásia no final de 2004.

Começa-se por esquecer que houve um furacão, e desapareceram as imagens da violência da natureza, passados os primeiros dias, em que elas ainda eram politicamente neutras. O contraste com o tratamento do tsunami é flagrante, e, nem de perto nem de longe, as televisões passaram algo de semelhante à repetição mórbida das ondas que entravam terra dentro.
Os noticiários deram sempre em primeiro lugar, e às vezes em único lugar, a notícia da imputação da culpa, esquecendo quase de imediato o desastre natural, a não ser para reforçar a culpa, transformando a humanidade das vítimas numa abstracção e num libelo acusatório. Foi isso que interessou.

(...)

No tsunami, como na Tailândia, o Sri Lanka e a Indonésia são longe e não são os EUA, a questão da culpa só foi aflorada numa referência inicial sobre se havia ou não aviso possível. Quem é que quer saber da culpa em tão remotas paragens. Aí a culpa é da natureza.

quarta-feira, setembro 07, 2005

[60] “A Europa e o Terrorismo Global”

Com o título acima mencionado, a Biblioteca Municipal de Santa Maria da Feira promove uma conferência (seguida de debate), no próximo dia 24 de Setembro, que vai contar com várias personalidades internacionais, com destaque para a jornalista Giuliana Sgrena, há poucos meses raptada no Iraque. O tema deste “IV Simpósio Sete Sóis Sete Luas” promete também ser interessante para discutir o lugar do jornalismo – e a importância de ser jornalista - nos conflitos armados, e em especial nas situações de terrorismo.
Ao jornalista e comentador político, Carlos Magno, caberá a moderação do debate. Aqui fica um pequeno resumo biográfico de cada um dos intervenientes, de acordo com a organização:

- Zuhair Al Jezairy
Jornalista iraquiano e produtor de filmes televisivos; director do jornal iraquiano “Al Mada” e escreve, diariamente, no “La Internazionale”

- Issam Sadek Besseisso
Delegado geral da Palestina em Portugal

- Ely Karmon
Professor universitário, especializado em terrorismo internacional, questões estratégicas do médio oriente, racismo e anti-semitismo

- Rui Pereira
Professor universitário; membro do Conselho Superior do Ministério Público; membro fundador e presidente da direcção do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo e coordenador da Unidade de Missão para a Reforma Penal

- Giuliana Sgrena
Jornalista italiana, trabalha no jornal “Il Manifesto”; enviada especial ao Afeganistão, Paquistão, Somália, Algéria, Curdistão Turco e Iraquiano, Israel e Palestina e Iraque; especialista de questões do Mediterrâneo, do Médio Oriente e do Corno de África

- Piero Luigi Vigna
Procurador nacional anti-máfia, em Itália; é autor de várias publicações sobre ordem pública, terrorismo, armas e explosivos, criminalidade organizada e tráfico de estupefacientes

[59] Publicidade nos Telejornais

O caso passou-se há alguns dias, mas vale a pena tecer alguns comentários a seu propósito. A chegada a Portugal da "Playstation Portatil" - cuja sigla (PSP) dá azo a trocadilhos fáceis - provocou uma autêntica euforia junto da população adepta deste tipo de consolas. Ao estilo "Harry Potter", em que a alteração de uma espécie de vínculo social força a extensas reportagens, a PSP alarmou as redacções - ou administrações? -, que rapidamente fizeram deslocar para o local vários repórteres.
O que fizeram esses textos televisivos: salientaram "o bom jogo", os "brilhantes gráficos", as "potencialidades - internet, videos, musica, tudo no mesmo sítio". Uma criança dizia - enquanto jogava - que "o preço até é razoável", dando a entender que um bem como aquele pode ser adquirido por qualquer pessoa.
A intromissão da publicidade em serviços de notícias acontece várias vezes, mas na sua grande maioria aparece dissimulada. Sou contra qualquer tipo de notícia "paga" (não sei se foi o caso, mas dá a entender que sim, até porque só há um real motivo de reportagem: o elevado número de pessoas no local da compra), mas pior do que isso é que as televisões, neste caso, não tiveram qualquer pejo em apresentar a peça como se se tratasse de informação.

sábado, setembro 03, 2005

[58] Ainda a propósito do Katrina

1. Salta à evidência uma dificuldade dos media: apresentar um fio condutor. As notícias são dadas do ponto de vista das acções e dos actores políticos. O exemplo mais clássico é a descrição de situação de caos, que é apresentado a uma determinada hora, e deixa de ser focado no dia seguinte. Nunca se sabe muito bem o que entretanto aconteceu.
2. A noção de cidadão-jornalista ganha cada vez mais expressão, e vemos o seu resultado por estes dias na TVI, quando um português que vive na terra do Tio Sam relata o que vê. Isto é admissível num media? Sai mais barato? Sem dúvida. É informação fidedigna? No mínimo questionável.

sexta-feira, setembro 02, 2005

[57] O Jornalismo Narrativo (8)

Uma tragédia como a do Katrina tem os condimentos essenciais para uma boa história. Além do inegável – e do dever – interesse jornalístico, este acontecimento fornece o insólito – num país como os Estados Unidos?! -, os populares em situações humanitárias incríveis, onde cada pessoas conta um caso diferente do outro. Possui também o lado político – Bush agiu tarde? -, económico – o petróleo -, e militar. E, claro, o religioso e o cultural.
Os media nunca conseguem contar tudo, mesmo na mais simples situação. O jornalismo narrativo, aplicado ao Katrina, funcionaria quase como um documentário televisivo. Os documentalistas raramente têm espaço próprio na televisão, mas são essenciais para se compreender a dimensão de uma tragédia. Embora com enormes condicionantes, proporcional ao próprio problema, os “narrativos” podem facilitar a tarefa de englobar num pequeno – será sempre pequeno – texto uma gota daquele imenso oceano de casas, ruas e pessoas. Desfeitas.

quinta-feira, setembro 01, 2005

[56] O Tom das Notícias

É cada vez mais um estudo a precisar de ser feito: a forma como as notícias sobre órgãos de informação tradicionais são dadas pelos directos concorrentes. O tom com que Rodrigo Guedes de Carvalho deu a notícia de que o Governo decidiu indexar à factura da electricidade gasta pelas empresas uma taxa para alimentar a RTP e a RDP foi tudo menos jornalístico…