Estudos Jornalísticos

segunda-feira, outubro 31, 2005

[102] Autonomia, Cidadãos, Jornalistas

Li com agrado o texto de Eduardo Cintra Torres, ontem no Público, sobre a teoria que coloca os cidadãos ao nível de jornalistas: cada pessoa pode ser produtora de informação, para ser consumida. O mundo do jornalismo está a mudar, claramente, mas o caminho ainda é enevoado. Julgo que as contribuições de autores como Dan Gillmor são importantes, mas ainda é cedo para, definitivamente, formar uma nova era de fazer informação.

Se se tem em conta a intereactividade quando analisamos o conceito de "cidadãos-jornalistas", parece-me que ECT tem efectiva razão. Qualquer pessoa pode relacionar-se com os media, e isso já se faz há dezenas de anos. Basta pensar na figura do provedor dos leitores, dos discos-pedidos, das informações erradas, dos testemunhos, das fontes, do "Correio do Leitor", entre outros. Os jornalistas sempre procuraram encontrar pessoas que lhes pudessem confirmar ou não determinada notícia. E isso transforma as mesmas pessoas em informadores.

E nem se pode dizer que, agora, as pessoas estão mais atentas. Porventura até estarão menos despertas para determinados acontecimentos que não conseguem acompanhar, tal a voracidade de mensagens que lhes acompanham.

O que verdadeiramente mudou foi a autonomia do cidadão. Ou seja, já não é necessário esperar que alguém venha ter com a testemunha porque ela relata o acontecimento. Basta criar um blogue, por exemplo. Aliás, os blogues são mesmo o perfeito exemplo dessa nova realidade. O Público de hoje apresenta um texto que contém frases retiradas de um blogue. O responsável pelo espaço virtual produziu a informação, que depois foi retirada pela jornalista.

Em entrevista ao blogue sobre futebol Terceiro Anel, por altura da quinta jornada, Jesualdo Ferreiraforneceu algumas pistas sobre as causas do êxito do Braga.

quinta-feira, outubro 27, 2005

[101] Grande Reportagem

Lembro-me da ansiedade. "Nunca mais chega o início do mês para comprar a Grande Reportagem". Hoje leio no Público que a GR vai terminar. Ainda bem, acrescento. Foi um verdadeiro atentado aquilo que a Global Notícias fez ao título que, não tenho dúvidas, influenciou tantos jornalistas portugueses. A GR foi uma espécie de oásis no deserto de ínumeras revistas e jornais sem qualidade. Agora podemos dizer que o que matou a GR foi a ambição de transpor o modelo de sucesso de uma revista mensal para semanal. Quem tinha por hábito ler a GR mensal percebe isto claramente. (Tinha previsto a colocação de uns posts sobre as grandes reportagens da GR mensal, mas a falta de tempo foi-me afastando desse objectivo. Hoje parece-me que essa ideia morreu... pelo menos para já).
Não vou dizer que tenha predestinado o fim da GR, mas confesso que nunca gostei dessa fórmula semanal. Por vários motivos:
- uma revista com a qualidade que a GR nos habituou faz-se com tempo;
- foi muito personalizado, como se vê pelas capas;
- os textos continuavam muito interessantes, é certo, mas sem a profundidade exigida;
- certas rubricas foram alteradas sem qualquer motivo;
- a qualidade do papel;
- o pouco interesse de muitas reportagens.

Curiosa a reacção dos directores dos jornais que acompanham a GR: o Diário de Notícias e o Jornal de Notícias. José Leite Pereira diz que não sabe de nada, enquanto que António José Teixeira afirma que não é a melhor pessoa para falar sobre o assunto. Das duas uma: José Leite Pereira ou não sabe o que se passa na própria casa ou está a mentir. Seja qual for a resposta, sai muito mal visto. Depois, não se pode pedir a António José Teixeira que fale sobre um assunto que diga respeito à administração... E fico por aqui.
O que vale é que a memória da GR fica guardada em estantes para que alguém no futuro reedite aquela que já foi a melhor revista de informação do país.

segunda-feira, outubro 24, 2005

[100] A Publicidade nos Comentários...

...está a ganhar cada vez mais domínio nos blogs. E com consequências, como se vê pelo seguinte post.

Como a minha caixa de comentários está a servir de "ninho" a publicidade de páginas pessoais e comerciais, decidi retirar a possibilidade a leitores(as) interessados(as) em aqui deixar opiniões. As minhas desculpas por tal decisão. Contudo, querendo comunicar comigo, podem fazê-lo por e-mail.

Este blog também sofre desse mal e o seu autor está a pensar seriamente em seguir a prática do Indústrias Culturais.

[99] Correcções

Não sei se teve a ver com este ou este textos, mas o que é certo que o spot da Antena 3 foi alterado.

domingo, outubro 23, 2005

[98] Regulação da actividade profissional nos jogos de futebol

Li no desportivo O Jogo que um segurança à partida de futebol entre o Braga e o Boavista ameaçou com um "murro" o repórter da Antena 1 que queria ouvir o treinador da casa, Jesualdo Ferreira, no final do jogo.

Nos estádios continua a haver quem confunda os regulamentos da Liga com os ditames das empresas privadas e, sem excepção, são os jornalistas a pagar essa incompetência. Ontem, no final do jogo, quando o repórter de pista da Antena 1 se deslocava para o túnel para recolher as declarações do técnico Jesualdo Ferreira foi barrado por um "steward" que, perante a insistência do jornalista, o ameaçou com um murro, pormenor que não passou em claro, já que o microfone estava aberto e todos puderam ouvir. Lamentável!

A situação não é nova e tem a ver com os humores de cada responsável pelo estádio. A Liga de Futebol obriga - e o verbo é mesmo este - a que os protagonistas do espectáculo se desloquem à zona das "entrevistas rápidas" para as televisões. Para os profissionais da rádio não há qualquer regalia e ainda por cima são ameaçados por quererem fazer o seu trabalho.
É necessário que alguém diga, de uma vez por todas e com toda a clareza, o que deve ser feito e o que é de evitar. Mas, do meu ponto de vista, não pode ser ignorado um direito: o acesso dos profissionais da comunicação social às declarações dos futebolistas e treinadores no final do jogo. O contra-argumento é fácil: se o estádio é privado, "joga-se" de acordo com as regras dos proprietários. Mas, convém não esquecer que os media - e principalmente a rádio - transmitem os jogos para milhares de pessoas, que gostam daquele desporto e, na sua larga maioria só têm acesso à partida se for pelos aparelhos de radiodifusão. E, se os clubes são empresas que querem vender um produto, deviam ter presentes estes factores.

sábado, outubro 22, 2005

[97] Blogs adicionados

No País Encantado das Notícias e Estagiários Jornalismo.

sexta-feira, outubro 21, 2005

[96] Do uso dos Jornalistas

Quando se anda no ensino superior, a estudar num curso de comunicação social, tem-se a impressão que as respostas aparecem no caminho de casa e que sabemos muita coisa. Claro que não sabemos nada. Podemos conhecer bem a teoria, fazer belíssimas análises, mas na hora de tomar decisões esquece-se tudo isso.
De entre as muitas frases que me ficaram na cabeça desde essa fase foi a de que "haverá sempre alguém a querer enganar-nos. Mas, pior do que isso, é não termos consciência de que de facto estamos a ser usados". Confesso que não me recordo nem da aula nem do docente que proferiu a afirmação.
Vem isto a propósito de Cavaco Silva e da esposa que ontem celebraram os seus 42 anos de casamento, no mesmo dia em que o antigo primeiro-ministro se apresentou como candidato à presidência da República. Essa informação foi passada para a comunicação social pelos "organizadores" do evento. É relevante? Não. Os jornalistas foram usados? Foram. Com consciência? Sim. E isso é que é grave. Durante a transmissão televisiva da apresentação de Cavaco, uma das jornalistas (julgo que da SIC) afirmou mesmo que esta era uma informação que se pretendia que fosse divulgada. E, claro, assim foi.
Os símbolos são muito importantes. A noção de "casamento" está em declínio na sociedade portuguesa. Basta ver o número de divórcios ou de "uniões de facto". O jornalista sabe que está a ser usado numa campanha de símbolos e deixa-se levar. Não estive lá por isso não condeno ninguém. Provavelmente faria o mesmo.

quarta-feira, outubro 19, 2005

[95] Mais um agradecimento...

Com um inexplicável atraso, agradeço ao jornalismo-regional por ter incluído no seu blog um link para este...

[94] Os efeitos perversos da proibição de publicidade

Já ando para escrever sobre este assunto há alguns dias. A RDP Antena 3 tem vindo a transmitir um spot promocional do jogo "Pro Evolution Soccer" com recurso às vozes de Nuno Markl e Alexandre Afonso. Em relação ao humorista, a situação é perfeitamente normal, mas o mesmo já não se aplica em relação a Alexandre Afonso que, como se sabe, é jornalista da área do desporto. A sua contribuição para este spot configura uma clara intromissão em zonas que não são da sua competência enquanto jornalista e que colide mesmo com o Estatuto. O jornalismo desportivo tem outras regras no que diz respeito à ética e à deontologia e à separação dos campos?
Não havendo publicidade no RDP - sem ser a institucional -, em que perspectiva se enquadram os diversos passatempos e rubricas claramente publicitárias que existem ao longo do dia na Antena 3?

O BlogOuve-se aborda o mesmo tema, aqui.


[93] Documentários

Ontem estive a ver um documentário na Dois apresentado pelo "Monty" Michael Palin, nos Himalaias. E dei por mim a pensar porque é que este tipo de informação (é neste campo que o jornalismo narrativo encontra maior expressão) não nos é mostrada nos telejornais, nem que a terminar fosse...

A forma descontraída como entra numa loja de armas e passa por meio de bairros onde o comércio de espingardas grassa, torna Michael Palin não apenas um condutor de reportagens mas sim um interveniente na história. Pela presença, pelo rigor e pela imparcialidade. Tanto mais que "isto é a BBC", disse a dada altura.

O que mais me impressionou foi a noção de que o mundo ocidental sabe muito pouco da realidade de países como Paquistão, Índia, Afeganistão... Essencialmente porque se atribui a essas localidades longínquas a ideia de conflitos armados - e é verdade -, mas pouco mais do que isso. E dizem vários teóricos pessimistas dos media que "o que não aparece não existe". Claro que esta afirmação parte da análise aos grandes acontecimentos televisivos e não aos de menor dimensão, como este documentário. Que mostra outra faceta da Ásia, onde normalmente as notícias não nos chegam a não ser que alguém puxe o gatilho.

São paisagens de um limite sem fim, cheias de lugares estranhos mas belos, onde o povo vive com um sorriso no rosto, cheios de tradições seculares, como é a das mulheres menstruadas que são "impuras" e por isso têm de abandonar a casa onde vivem. O guia de Palin diz que elas ficam extremamente contentes justamente porque descansam e não têm de fazer a lida da casa...

Mas não só: quando está prestes a acontecer o nascimento de uma criança, as mulheres vão para o mesmo local ter o filho e só voltam para casa 18 a 20 dias depois. E, já nos aposentos, têm de passar por um ritual de purificação.

É natural que documentários extensos como este não cabem na lógica do telejornal. Pelo menos das televisões generalistas - exceptuando, é preciso dizer, as raríssimas vezes em que a RTP até se preocupa em difundir doc´s. Se houvesse uma responsabilidade social dos jornalistas em vez da lógica primeira da audiência, talvez Palin passasse às 21 horas e não às 22, 30 h de um canal a que pouca gente consagra tempo. Talvez seja mesmo por este factor que os documentários são "exclusivos" da Dois...

domingo, outubro 16, 2005

[92] Previsibilidade Jornalística

Mas porque é que, em todos os canais, e em todos os directos televisivos, se coloca o "povo" a falar sobre "a rivalidade entre os treinadores do FC Porto e do SL Benfica"? Não há mais perguntas? Não há mais ideias? Não há mais nada a explorar? Era inevitável falar nessa questão ininterruptamente?

[91] Traduções

Sobre este tema já muito se escreveu e vai continuar a escrever-se. Ainda há dias, o Blogouve-se debatia o mesmo assunto. Pelos vistos, a TSF continua a fazer de conta que não é nada com ela e, esta manhã voltou a passar um som do treinador do FC Porto sem qualquer tradução. Como é fácil de perceber, sou completamente contra (afinal de contas, nem toda a gente é obrigada a entender inglês...), mas convém fazer alguns apontamentos que ajudem a não radicalizar este assunto. E porquê?
Ontem, no final do jogo entre o FC Porto e o SL Benfica, estive à escuta, via TSF, da conferência de imprensa dos dois treinadores. A dado momento, uma das questões é colocada em holandês por um jornalista daquele país. Depois disto, há alguém da plateia de profissionais que interpela o treinador Adriaanse para "saber se podia traduzir para inglês o que acabava de dizer ao colega holandês". Resposta óbiva do treinador: "Não sou tradutor".
Vamos lá ver uma coisa: os jornalistas, por vezes, têm um pouco a mania de que estão acima de qualquer coisa e pensam que podem dizer tudo o que lhes apetece sem serem criticados. (E contra mim escrevo). Só olham para o umbigo. Mais: julgo que o jornalista português expressou-se daquela forma apenas para irritar o holandês, até pela resposta que deu na sequência da frase de Adriaanse e que não reproduzo aqui para não cometer imprecisões.

O treinador deve aprender a falar português? Sem dúvida. Mas não é um jornalista desportivo ou uma corporação que vai obrigar o treinador a não falar na sua língua natal quando é interpelado. E não consta que o jornalista português tivesse procurado a tradução, por exemplo, junto do colega holandês...

sexta-feira, outubro 14, 2005

[90] O milagre da Impala!

O funcionamento de uma publicação tem um novo modelo, explicado ao Público pela administradora Paula Rodrigues, que pode ser traduzido por este seguinte esquema:

À inicial QUALIDADE FOCUS, junta-se o despedimento 7 JORNALISTAS e a MANUTENÇÃO de 6, incluindo 5 ESTAGIÁRIOS. O resultado é este:

Ainda assim, Paula Rodrigues entende que a Focus vai conseguir manter o nível de qualidade.


Pois vai.

quinta-feira, outubro 13, 2005


[89] A SIC na "Prémio"

A revista de economia "Prémio" destaca na edição desta semana a estação de Pinto Balsemão depois da saída de Manuel Fonseca da direcção de programas. Segundo anuncia aquela publicação, Francisco Penim "tem três meses para começar a dar resultados idênticos aos do resto do grupo".
Num ano perdido para a TVI, nas seis páginas dedicadas ao assunto a "Prémio" diz que "neste momento, a estação luta contra o relógio em três frentes: (...) o desafio de reverter o trambolhão das audiências no último trimestre, depois das apostas falhadas em programas como o "Senhora Dona Lady" ou o "Esquadrão G". (...) A segunda, sair em bom estado das negociações com os anunciantes para o próximo ano, (...) e, por fim, a SIC precisa efectivar uma nova estratégia de programação para recompor a sua base de espectadores".
A entrada de grupos económicos estrangeiros na estrutura accionista da empresa pode ser o caminho, diz uma analista financeira. Será?

quarta-feira, outubro 12, 2005

[88] A Estudante
















Jean Puy, Musée d'Art Moderne, Paris

[87] "Contar a História tal como aconteceu"

Throughout his speech, Fisk conveyed that the death, destruction, cruelty and inhumanity he has seen had left him determined to report “history as it happens”, so no one could say “we didn’t know, nobody told us.

Robert Fisk: Journalist As Hero, aqui

segunda-feira, outubro 10, 2005

[86] Construção de Notícias

Estava a fazer zapping pelos canais televisivos quando, na TVI, em pleno telejornal, vejo a seguinte notícia: “Scolari agastado com ironias de Madaíl”. Pensei, “bem, deve ter acontecido alguma coisa que não acompanhei”. Mas não. A peça, de suposto interesse jornalístico, recuperava as declarações de Scolari no final do jogo e fazia-as como se fossem uma crítica directa ao presidente da Federação. Curiosamente, as declarações de Madaíl não foram emitidas. E assim se tentou criar um facto. Mais: o jornalista afirma que Scolari está a ponderar os convites que tem recebido de clubes europeus, que lhe oferecem melhores condições salariais. Isto tudo sem citar fontes.
Mas, pergunto, se as declarações são de sábado, porque é que só agora é notícia? Dois dias depois?
Na peça seguinte, sobre o jogo de Portugal com a Letónia, a TVI assegurava que os jogadores estão satisfeitos com Scolari. Das duas uma: ou há um facto novo que não descortinei, ou então os espectadores foram claramente enganados.

quinta-feira, outubro 06, 2005


A reportagem de “A Europa e o Terrorismo Global” – 6
Intervenção de Piero Luigi Vigna

Currículo: procurador nacional anti-máfia, em Itália; é autor de várias publicações sobre ordem pública, terrorismo, armas e explosivos, criminalidade organizada e tráfico de estupefacientes.

Verifiquei que a globalização produziu mais globalização dos crimes do que dos direitos. Todas as formas de crime organizado são já transnacionais. Também o terrorismo se foi globalizando.
Com as várias acções que foi levando a cabo, a máfia pretendia que o Parlamento eliminasse algumas leis que tinham sido elaboradas contra a própria máfia: confiscação de bens, colaboradores de justiça, etc. Isto é um elemento característico do terrorismo.
Como deve ser distinguido o termo “Terrorismo” de “Guerrilha”, por exemplo? Ou de “insurreição armada”? Nos anos 70 havia 230 definições de terrorismo. Vai ser necessário por fim a esta discussão para uniformizar as legislações, que nos ponha a todos de acordo.
Na União Europeia, há países que não falam de “terrorismo”. Países como Itália e Alemanha não definem terrorismo. Outros, como Portugal, falam de prejuízo para os interesses nacionais, intimidação às populações. Uma Lei-Quadro da União Europeia de 2002 define que os delitos que devem ser considerados terrorismo se forem cometidos para intimidar a população ou obrigar os poderes públicos a realizar ou não realizar certos actos; ou destruir estruturas políticas…
Se se matam as emoções em nós mata-se em nós o sentimento do valor da vida. É o preto e branco. Devemos caminhar de uma criminalidade organizada para uma legalidade organizada.

quarta-feira, outubro 05, 2005


[84] A reportagem de “A Europa e o Terrorismo Global” – 5
Intervenção de Giuliana Sgrena

Currículo: jornalista italiana, trabalha no jornal Il Manifesto; enviada especial ao Afeganistão, Paquistão, Somália, Algéria, Curdistão Turco e Iraquiano, Israel e Palestina e Iraque; especialista de questões do Mediterrâneo, do Médio Oriente e do Corno de África


O terrorismo tem a ver com todas as religiões, mas na Europa associa-se ao Islamismo. Quando se fala em terrorismo surge a imagem do 11 de Setembro, mas ele começa muito antes.
Na Argélia, onde estive nos anos 80 e 90, houve uma autêntica tragédia, perpetrada por grupos islâmicos radicais, que eram ignorados pelo Ocidentais. Falava-se pouco. Os democratas vítimas do terrorismo queriam entrar no ocidente e não lhes era permitido. E no entanto, a Grã-Bretanha era considerado um local seguro para os terroristas. Ou seja, o ocidente formou-os e têm essa responsabilidade.
Para que se fez a guerra no Afeganistão? Está na estaca zero passados 4 anos. Está toda a gente reabilitada. Assiste-se a uma “talibanização da sociedade”. É como se nunca tivesse acontecido nada. Nunca se olhou para o que estava por detrás da ideologia. Os governos ocidentais ignoraram este valor e só se aperceberam disso quando perderam a imunidade e passaram a ser atacados.
A guerra alimenta o terrorismo que é pretexto para recrutar mais gente. E isso e fácil quando as pessoas são pobres e têm de ter dinheiro para subsistir. O terrorismo é um fenómeno difícil. Não se pode responsabilizar todos os muçulmanos. Os discursos de Bush contêm fanatismo de cruzada, que os outros também têm, para justificar acções brutas. Há um relativismo cultural em que tudo se justifica quando não nos diz respeito.
A primeira expressão desta guerra assimétrica é a 1ª Guerra do Golfo. A viragem, para mim, em relação ao uso do terrorismo, não é o 11 de Setembro mas sim no período entre 1989 e 1991, com a queda do muro de Berlim e a queda do império soviético. O ápice deu-se com as Torres Gémeas.

[83] Compromisso sem vínculo

Depois de uma ausência que se prolongou mais do que seria de esperar - o trabalho e o regresso aos bancos da faculdade foram os únicos motivos para esta aparente inactividade do blogger... -, cumpre-me informar que continuo hoje a reportar o evento "A Europa e o Terrorismo Global", de Santa Maria da Feira.
Além disso, gostaria ainda de deixar uma reflexão, a propósito do caso "Alberto João Jardim- Jornal da Madeira": a situação é demasiado grave, e merece uma posição pública quer do jornal quer da entidade que regula o sector. Mas se se pensou que assistimos a tudo, ainda vemos o presidente do Governo Regional da Madeira a admitir que aqueles "hábitos" vão prosseguir, como se fosse a coisa mais natural do mundo. E, convenhamos, a atitude política dos opositores na Madeira é completamente irrelevante. Estiveram calados este tempo todo e só porque o Público deu à estampa uma notícia dessas é que vão pedir esclarecimentos? Não sabiam antecipadamente? Não acredito.
E, já agora, e se fossemos todos espreitar outras "madeiras"?


ACTUALIZAÇÃO - "Jornalismo Local Em Tempo de Eleições"

sábado, outubro 01, 2005

[82] Ausência

Por motivos pessoais e também profissionais só volto à blogosfera na próxima segunda-feira. Bom fim-de-semana.