Estudos Jornalísticos

quarta-feira, novembro 30, 2005

[119] Da História dos Media - 01
O "O Primeiro de Janeiro" assinala hoje o seu 137º aniversário. Por isso, este texto começa exactamente por uma... inexactidão.
"O Primeiro de Janeiro" conta já com 135 anos. Uma instituição! Um desafio ao tempo e um acompanhamento permanente da evolução permite aos nossos leitores acederem a partir de agora às nossas páginas, por este meio...a Internet. Está aqui.
O Primeiro de Janeiro já não tem a importância que teve em tempos. Tem sido um parente pobre do Jornal de Notícias, o verdadeiro jornal do norte, mas tem o mérito de, pelo menos para já, ter resistido aos problemas que afectam muitas publicações, com consequências recentes no Comércio do Porto ou da Capital.
Aspectos recentes positivos:
- a dinâmica dos suplementos, com destaque para o "Das Artes e das Letras".
- uma forte implantação no terreno, através de publicações localizadas, que gera mais receitas em termos publicitários.
Aspectos recentes negativos:
- por vezes, dá a ideia de que a informação está em segundo plano.
- o despedimento de jornalistas por terem criado blog em que criticavam a direcção do jornal.

[118] A RTP e Pessoa
Fernando Pessoa morreu há 70 anos. É uma data como outra qualquer, e, convenhamos, até passa ao lado da "convenção" estipulada pelo Homem de assinalar com destaque aos 10, 25, 50, 75 e 100 anos. Porém, a RTP lembrou-se de lhe dedicar esta madrugada. Antes, hora e meia do mais puro futebol entre o Barcelona e uma equipa pela paz israelo-palestiniana. O futebol aproxima mais do que um documentário a explicar as razões pelas quais estes homens andam noutros campos a espalhar a morte uns aos outros.
Esta noite, mais futebol. Desta vez entre Manchester United e o Albion para uma das taças de Inglaterra. E para a 4ª eliminatória. Estou mesmo a ver que se o Chelsea ou o Man Utd não forem à final, a RTP vai-se esquecer de a transmitir.

[117] Clube de Jornalistas de hoje...
...promete ser dos mais interessantes, não apenas pelo tema em si mesmo, mas por aquilo que dele se pode retirar. Os números são elementos fundamentais no espaço público e as sondagens estão de tal forma enraizadas na sociedade que não há mês em que não saia "uma cá para fora".
Algumas questões fundamentais quando se fala de sondagens:
- a sua "real" importância;
- a capacidade de persuadir, e se essa ideia está implícita nos "fazedores de sondagens";
- quem manda fazer e porquê;
- ...
Escreve João Paulo Meneses (moderador do debate de logo mais), o seguinte:
As sondagens são agenda controlada (comprada) pelos meios, ao nível de temas e dias. Ao comprar uma sondagem, o jornal, a rádio ou a televisão estão a garantir uma notícia em exclusivo (mesmo que em parceria), sobre o assunto que querem, na data que mais lhes interessar. Como se não bastasse, ainda podem conseguir impacto noutros meios (concorrentes?) e gerar reacções dos protagonistas, obrigando-os a comentar.
As sondagens são, portanto, um dos poucos conteúdos noticiosos que dão efectivo poder aos jornalistas (acrescido do poder de antecipar a realidade mais ou menos próxima, por exemplo, quando se trata de eleições). É por isso que eles, mesmo correndo todos aqueles riscos, não só as querem muito como até teriam mais, se pudessem!
Esta noite, 23, 30 horas, na Dois, com a presença de Pedro Magalhães (do Centro de Sondagens da Católica) e Francisco Soares (especialista e consultor do Presidente da República).

[116] De volta

quinta-feira, novembro 24, 2005

[115] Ausências
O autor deste blogue anda perdido no meio de trabalho e de trabalhos, na procura incessante de um fio que o conduza ao fim da linha. "Nos entretantos" vai procurar passar por aqui, ainda que ande, de salto em salto, nos sítios de referência, para ler o que andam os companheiros da blogosfera a escrever.

segunda-feira, novembro 21, 2005

[114] Hoje...
É Dia Mundial da Televisão.

sexta-feira, novembro 18, 2005

[113] Quando o directo só atrapalha
Para que serve um directo no telejornal? Esta pergunta devia ser feita por cada director de informação. Constantemente. A RTP começou o noticiário - tal como as outras estações - com destaque para a morte do soldado português no Afeganistão. Uma peça remetia-nos para a conferência de imprensa do ministro da Defesa e para o Chefe de Estado Maior das Forças Armadas. Um explicou o significado político da questão. O outro o que esteve por trás do incidente. Até aqui tudo bem.
Mas eis quando o pivot lança o espectador para o repórter no exterior, no local onde momentos antes havia decorrido a dita conferência de imprensa, mas desta vez para falar com o Chefe de Estado Maior do Exército. Não duvido da relevância do CEME para o caso, mas o certo é que ele não acrescentou nada ao tema.
Mudamos de canal. A SIC está a debater o problema em estúdio com dois jornalistas que conhecem bem a realidade do Afeganistão. Um da SIC, outro do Diário de Notícias, que acompanhou a visita de Amado, há dias, precisamente ao Afeganistão. Do ponto de vista da importância noticiosa e informativa, a SIC bateu de longe a RTP, simplesmente porque esta foi redundante e mostrou-se mal preparada na abordagem ao incidente que vitimou um militar e feriu outros três.

quarta-feira, novembro 16, 2005

[111] É bom que a RTP explique - 2 de 2

Não sei se se pode falar de "escola", nem sei se ela existe, mas mesmo assim o autor deste blogue é adepto da ideia de que o jornalista tem uma responsabilidade para com a sociedade que não se coaduna com manifestações de parcialidade. Este post surge na sequência de um cada vez maior número de manifestações de nacionalismo "futebolês" na RTP. Tal como em todos os jogos desde que Scolari tomou conta da equipa, e principalmente no Euro 2004, os jornalistas desportivos quase que contemplam a selecção de futebol, que se manifestou, por exemplo, com os aplausos na conferência de imprensa em que o brasileiro anunciou que "casava" por mais dois anos com Gilberto Madaíl.
A RTP, infelizmente, sofre do mesmo mal.
O facto mais preocupante é quando um jornalista se vê obrigado a justificar os seus comentários com "isto não tem nada a ver com nacionalismos", como tem acontecido nas transmissões televisas dos jogos. Tal como ontem e tal como desde que esse sentimento de "selecção nacional" começou a vingar entre a sociedade portuguesa.
A objectividade não existe mas brilhante do jornalista que não está preocupado em ser notícia mas antes em noticiar. E pergunto: como posso acreditar que aquilo que o jornalista está a dizer é verdade quando conheço a sua inclinação para determinado assunto? Quando esta dúvida surge é sinal de que o jornalista falhou na sua missão.

[110] É bom que a RTP explique - 1 de 2
Acredito que tenha passado despercebido, mas um spot promocional do "Jumbo" passou várias vezes na Dois, na noite de 2ª feira. Por momentos pensei que estaria num outro canal qualquer. Acredito que tenha sido um erro de programação, mas mesmo assim seria bom que a RTP explicasse o sucedido.

domingo, novembro 13, 2005

[109] Entrevistas e coisas "a passo" que irritam

As entrevistas a escritores funcionam numa dupla perspectiva: quando se pretende saber da boca do autor se o seu mais recente livro vale a pena comprar, ou como complemento da compra. É neste último caso que me encontro perante "As Intermitências da Morte", de Saramago. Como conciliar as várias entrevistas que li, vi e ouvi - com especial destaque para a de Carlos Vaz Marques, na TSF, e a de Adelino Gomes, no Mil Folhas de ontem - com a minha leitura atenta e "a passo" do romance?
Depois de ouvir o "Pessoal e Transmissível" já muita coisa acponteceu na minha leitura, apesar de "a passo", "já" estar na página 42. E já muitas perguntas me ocorreram fazer ao Nobel, que nem sequer foram consagradas pelos muitos jornalistas. Mas não é isso que interessa para este post. O que é irritante é ter olhado para a capa do Mil Folhas de ontem e dizer: "Não, não podes ler". É muito irritante, para mais sabendo da qualidade do entrevistador. Resta-me esperar que "a passo" termine o livro e, aí sim, ler Saramago na folha do jornal.

quinta-feira, novembro 10, 2005

[108] Evidência
A resposta é nao.

quarta-feira, novembro 09, 2005

[107] O Clube desta noite...

é sobre blogues e a relação destes com o jornalismo. Antevê-se um programa bem interessante, comprovado pela categoria dos presentes em estúdio.

CJ na TV: Poderão os blogues ser jornalismo?
Quarta-feira, dia 9, às 23 e 30, na RTP 2 06-11-2005
“Poderão os blogues ser jornalismo?” é o tema do próximo Clube de Jornalistas, que será transmitido na RTP 2, na quarta-feira, dia 9, às 23 e 30 (com repetição no dia seguinte, às 15 horas). São convidados em estúdio António Granado, jornalista do "Público" e criador do blogue Ponto Media, João Alferes Gonçalves, jornalista free-lance e editor do site Clube de Jornalistas, e Rogério Santos, professor da Universidade Católica e criador do blogue Indústrias Culturais. A moderação é de Carla Martins.


Podem ser jornalismo e são muitas vezes. Na sua imensa maioria, os blogues são apenas espaços de opinião, mas há casos em que se vê verdadeiros apontamentos jornalísticos. E se a produção de notícias perde qualquer combate para outros estilos, o certo é que há cada vez mais jornalistas a recolher informações, pistas, dicas de bloggers para depois fazer o seu próprio texto de um qualquer suporte de longa idade.
Além de que há um maior cuidado na citação da fonte por parte dos media tradicionais. Não creio, no entanto, que, ao contrário destes, a primeira função do blogue seja informar. Mas a verdade é que existe espaço para isso, assim como nos jornais, televisões e rádios, também há momentos e locais para "coisas estranhas", opiniões, tendências, etc.

sexta-feira, novembro 04, 2005

[106] Pergunto
Faz sentido a RTP transmitir um evento passados 15 dias de ele ter ocorrido, e depois de já ter sido difundido, em directo, por um canal do cabo?

quinta-feira, novembro 03, 2005

[105] O Sindicato e a Espuma dos Dias
Alfredo Maia, presidente do Sindicato dos Jornalistas afirmou, relativamente ao caso "Rui Rio", que "as regras impostas aos jornalistas estão feridas de ilegalidade ao limitar o direito de acesso à informação" (Público). Pena é que Maia não esteja mais atento e não condene, repetidamente, o black-out que de tempos a tempos os clubes de futebol introduzem no espaço público.

[104] Jornalismo e História
Não é um paradoxo que os meios de informação locais sejam menos receptivos a um evento sobre a História da região onde estão inseridos, do que seriam, por exemplo, os media nacionais? Em que se enquadra este aparente desinteresse? Falta de tempo? Falta de cultura? Falta de paciência?
É curioso verificar que por mais importantes sejam as personalidades que se desloquem a uma terra para falar sobre determinado assunto, os jornalistas não têm o cuidado de procurar a notícia. Assim sendo, regra geral, os critérios estão implícitos na cobertura deste tipo de acontecimentos são:
- a importância de certas individualidades e que é fornecida aos jornalistas pelos organizadores;
- tentar encontrar uma aberta no evento (o chamado "coffee-break") para interpelar aquele que nos foi referenciado - isto enquanto se espera "cá fora";
- colocar a pergunta clássica - "a do valor do evento para a cidade";
- fazer a notícia com estes elementos e dizer que esteve muita gente, desde estudantes a académicos, passando por simples curiosos.
Resultado: foram cumpridos os minímos.

quarta-feira, novembro 02, 2005

[103] CLube de Jornalistas com novo moderador

Esta noite, João Paulo Meneses apresenta, pela primeira vez, o Clube de Jornalistas, e logo com um tema sobre o qual glosou no seu blog.

CJ na TV: Os jornais azuis... uma questão de papel
Para mostrar a sua nova imagem de marca, a TMN decidiu pintar de azul as primeiras e últimas páginas de quase todos os diários do dia 28 de Setembro. O assunto suscitou polémica e uma intervenção muito crítica do Sindicato dos Jornalistas. E remete, sem dúvidas, para o poder crescente dos departamentos de publicidade e de «marketing», visível na abundância de produtos associados vendidos com a imprensa. João Marcelino, director do "Correio da Manhã", Luciano Patrão, antigo presidente do Conselho de Administração do "DN" e o investigador e professor universitário José Carlos Abrantes são os convidados deste CJ na TV, moderado por João Paulo Meneses, que inicia a sua colaboração com o Clube de Jornalistas. Programa emitido quarta-feira, dia 2, e repetido no dia seguinte âs 15 horas.