Estudos Jornalísticos

sexta-feira, dezembro 30, 2005

[135] Bom ano!
A todos os leitores, desejo muito boas notícias em 2006! O blogger volta na tarde do dia 2 de Janeiro.

[134] Ano Velho e Novo
Coisas positivas e negativas, em (apenas) 10 pontos.
1. 2006 começa logo com o fim da "Grande Reportagem", revista outrora de informação, outrora de qualidade (apesar dos profissionais que lá trabalham de mérito reconhecido). Por isso, se não for possível retomar a newsmagazine, pelo menos que surja outra do género. Não é fácil, mas não custa nada pedir.
2. Não vai ser um ano fácil para as publicações periódicas (como atestam as audiências dos jornais de referência divulgadas há dias), que, na ânsia de encontrar respostas para a descida nas vendas, esperemos que não enveredem por caminhos "sensacionais".
3. É importante rejuvenescer os projectos "O Comércio do Porto" e "A Capital", mas com uma lógica de mercado diferente daquela que nos habituaram e que a tão maus resultados conduziram.
4. A comunicação social portuguesa continua a padecer toda do mesmo mal: reserva muito pouco espaço para o contexto, para a explicação. Neste domínio, começo a ter muitas dúvidas se a noção de "proximidade" não estará a ser levada demasiado a sério, ao ponto de as "reportagens de cariz humano" estarem a ganhar cada vez maior terreno.
5. O desparecimento da Alta Autoridade para a Comunicação Social e a substituição por uma Entidade Reguladora do sector. Se for apenas uma questão de nome, nem vale a pena perder tempo.
6. Os programas televisivos que concedem tempo de antena a Marcelo Rebelo de Sousa e a António Vitorino estão completamente desajustados da real importância dos mesmos. Não deviam existir mas em 2006 vão continuar, para fazer bem a algumas pessoas.
7. Salvo raras excepções, o julgamento do processo Casa Pia tem sido sobriamente relatado, com os meios de comunicação social e os jornalistas a apostarem - nota-se claramente - em formação adequada.
9. O abandono de Miguel Sousa Tavares, no Público.
10. O fim de Manuel Moura Guedes, na apresentação do Jornal Nacional, na TVI.

quinta-feira, dezembro 29, 2005

[133] Novos Blogs adicionados

[132] A voz e a cara
São várias as histórias contadas - também pelos próprios profissionais da rádio - de que as imagens que as pessoas fazem deles enquanto ouvintes, raramente correspondem à realidade do que foi imaginado. O grande "prémio" pela popularidade dos locutores não estava na audiência extraordinária dos programas, mas no reconhecimento da sua voz. Lembro-me, por entre sons, imagens e textos que tem preenchido a minha vida, de um depoimento de um radialista, e que dizia mais ou menos isto: "quando interpelei uma pessoa na rua, ela disse: - Ah, você é o ________! Conheci a sua voz!". Sinceramente não sei que afirmou isto, mas tal já se deve ter passado com imensos profissionais. Hoje é fácil conhecer as caras dos radialistas, bastando para tal que se coloque uma foto na página de internet do respectivo órgão de comunicação social onde trabalha. Se se quiser.
A propósito do Clube de Jornalistas de ontem: não conhecia Manuel Acácio. A voz não correponde à cara.

segunda-feira, dezembro 26, 2005

[131] Livros...
Na sua página dedicada aos media, o Público traz hoje uma espécie de resumo acrítico sobre o livro "O poder da comunicação", de José Augusto dos Santos Alves. Comprei o livro mal o vi nas estantes das livrarias, antes de ler/ouvir/ver alguma coisa sobre ele. E, neste caso, infelizmente. É que a obra não acrescenta nada que já não se soubesse ou que não se possa encontrar noutro lado. Não há nenhum critério que o Público possa apresentar como base para publicar um texto sobre ele.
Depois, passando em revista o texto do jornalista, pode ler-se coisas destas:
Como assinala no prefácio Alexrande Manuel, igualmente editor do livro, O Poder da Comunicação (integrado na colecção Media e Sociedade, com um preço de 13, 5 euros) tem, entre outros, o mérito de "pisar terrenos que, entre nós, permanecem quase virgens.
Mas que terrenos? Basta um olhar atento ao sumário para se perceber que essa expressão não tem qualquer sentido. Mais: o texto jornalístico termina com uma frase do autor, depois de indicada a sua profissão (como que para legitimar a "bondade" do livro):
Estamos em vias de viver uma mutação da nossa sociedade, marcada por um uso novo das novas tecnologias da comunicação e desenvolvimento de uma civilização de tipo novo.
Sinceramente, acho que este livro chega 10 anos atrasado. Espero que isto não tenha sido uma daquelas encomendas, que ajudam a desprestigiar um jornal. A apresentação deste livro poderia ter lugar no Mil Folhas, mas não com o destaque que teve. E se o Público queria dar notícia do lançamento (com dois meses de atraso, no mínimo), poderia facilmente arranjar pretexto. É que publicações sobre os media, a comunicação, a informação e a tecnologia a ela associada, não faltam.

sexta-feira, dezembro 23, 2005

[130] Feliz Natal

A todos os leitores deste blog desejo um Feliz Natal!

sexta-feira, dezembro 16, 2005

[129] Comissão da Carteira iliba Pedro Mourinho

A Comissão da Carteira Profissional de Jornalista considerou que a participação de Pedro Mourinho, jornalista da SIC, numa acção de formação da TMN não constituiu qualquer incompatibilidade com a profissão.

A TMN, através da sua Direcção de Recursos Humanos, organizou nos dias 14 e 15, 28 e 29 de Outubro do corrente, uma acção de formação profissional interna, destinada aos seus quadros, subordinada ao tema “Somos Notícia TMN”;

Pedro Mourinho afirmou ter pedido opinião a Ricardo Costa, que não colocou qualquer objecção à participação nessa acção.

A intervenção do Jornalista visado traduzia-se em ser o entrevistador, nomeadamente de Luís Filipe Scolari e de Humberto Coelho;

A CCPJ refere ainda que as perguntas feitas aos entrevistados foram todas da responsabilidade do jornalista e que não foi promovido qualquer tipo de produto ou serviço. Daí, conclui que

Pela factualidade apurada verifica-se que a conduta do Jornalista denunciado não integra nenhuma das situações de incompatibilidade prevista na lei.Por um lado regista-se que o mesmo aceitou um convite para participar numa acção de formação de uma empresa, destinada aos seus próprios quadros. Hoje em dia ninguém colocará em causa da necessidade da formação nas diversas áreas do mundo laboral. Passou inclusivamente a ser matéria do actual Código de Trabalho, aprovado pela Lei nº 99/2003, de 27 de Agosto, em termos de ser um dever do empregador – artigo 120 alínea d). Uma empresa, capacitada de responder à necessária formação dos seus quadros, procurará patrocinar as adequadas acções convidando, para o efeito, os profissionais que melhor possam desempenhar o seu próprio “metier”.Por outro lado o convite foi-lhe formulado precisamente devido à sua qualidade de jornalista, uma vez que a intervenção esgotava-se em trabalho específico dessa actividade profissional. Não se estaria à espera que as entrevistas fossem realizadas por alguém que não um jornalista. Se numa acção de formação for prevista uma intervenção cirúrgica, seguramente que será convidado um médico para a realizar.Foi uma acção interna, destinada exclusivamente a quadros daquela empresa, não se tendo traduzido, nomeadamente, em mensagens publicitárias, nem em orientação e execução de estratégias comerciais.

Por fim, o que me deixa mais dúvidas é o parágrafo final:

Daqui se conclui que, no caso em apreço, o Jornalista visado participou, nessa qualidade, numa acção de formação profissional, não cometendo, por isso, qualquer infracção ao seu estatuto profissional. A partir desse momento, o facto de ter sido ou não remunerado apresenta-se irrelevante.

[128] Num dia, uma prenda; no outro, uma fava

Uma das razões pelas quais o Público sempre foi a minha companhia diária teve a ver com a figura de Miguel Sousa Tavares. Curiosamente, hoje que não comecei a leitura do jornal pelo seu artigo de opinião, sou alertado - na primeira passagem pela blogos - pela Madalena Oliveira que MST termina a sua ligação àquele jornal diário.
As sextas-feiras eram sempre muito esperadas, principalmente porque ao longo da semana tentavamos adivinhar o que o autor de "Equador" escreveria. Ficam célebres as suas opiniões acerca do Alqueva, do tabaco nos aviões, nos ataques a Rui Rio e a Guterres (entre outros...), e sempre bem fundamentadas. Essa foi a mais valia de MST, e que o tornava diferente da maioria dos opinion-makers. A suspensão - há uns anos - da sua actividade de cronista no Público foi - recordo-me bem - uma autêntica desilusão. Era como um café de marca x: se se habitua àquele sabor, o y nunca será tão interessante, mesmo que até tenha potencial para isso.
Hoje, MST termina a sua ligação de 14 anos com o jornal. Termina com um frio "naturalmente" que não pode agradar a quem o leu durante tanto tempo.

Entre a prenda de ontem e a fava de hoje haverá alguma ligação?

quinta-feira, dezembro 15, 2005

[127] Prenda de Natal...
"Manuela Moura Guedes sai da apresentação do Jornal Nacional da TVI", no Público.
Um mérito: conquistar, fidelizar e cimentar as audiências do telejornal de Queluz. Tudo o resto é negativo. Ficam para a história: as acesas discussões com Miguel Sousa Tavares, pelos piores motivos; a expressão "entre as vítimas da Casa Pia e os arguidos, defendo os primeiros"; e os comentários às notícias.
Não é um estilo que me agrada. Portugal tem uma tradição de algum rigor associada à imagem de imparcialidade. Não é um sistema perfeito, mas é como a democracia: se houver um melhor, digam.
MMG fez o que lhe pediram e teve êxito. Contudo, valha a verdade, que só o fez porque a estação é privada, porque há cinco anos tinha uma audiência diminuta, e optou por um registo que, apesar dos frutos, não garante credibilidade. Chega a ser deprimente ver alguém, simples jornalista, a tecer considerações como se tivesse sido eleita para produzir comentários. Se é isto a que chamam "o poder dos media"...

quarta-feira, dezembro 14, 2005

[126] Reportagens
Em tempo de anúncios de grandes investimentos - como é o caso da Ota e do TGV -, como deve ser interpretada uma reportagem em que nos é apresentada uma comparação entre três meios de percorrer a mesma distância? A RTP emitiu uma reportagem no Telejornal de ontem sobre os prós e contras de usar o carro, o comboio e o TGV, numa viagem entre Porto e Lisboa.
A uma pequena escala, um trabalho deste género serve para elucidar os contribuintes sobre as diferenças entre cada um dos meios; no limite, funcionam como propaganda, "boa" ou "má". Volto ao assunto dentro de momentos.

[125] O Clube desta noite...

...tem como tema os jornais escolares. Conta com as presenças de Eduardo Jorge Madureira, Joaquim Igreja e Maria Emília Brederode Santos e a moderação de Carla Martins. A partir das 23, 30 horas na Dois.

sexta-feira, dezembro 09, 2005

[124] Rever textos
Como é possível que num jornal de referência, como é o Público, apareçam erros destes:
"... e que vinha numa tranjectória ascendente..."

quarta-feira, dezembro 07, 2005

[123] Coisas do Directo
Acabo de assistir, na RTP, a essa verdadeira notícia que é a saída do hotel dos jogadores do Manchester United, que daí a minutos vão jogar no Estádio da Luz, frente ao Benfica. Porque é que, durante a transmissão de um jogo de futebol, se critica tanto os locutores por relatarem o que toda a gente está a ver - principalmente se não vão mais longe - e não se tem a mesma posição crítica (pelo menos com a mesma intensidade) em relação aos directos em que apenas se assiste à saída dos jogadores?
Mais do que pela importância jornalística, a clássica saída do hotel dos jogadores de futebol serve apenas para promover a unidade hoteleira. Os jornalistas vão na conversa e não se coíbem de divulgar várias vezes o nome do hotel. E há mesmo quem faça autênticas peças sobre aquilo que tem para oferecer a quem fica lá hospedado.
P.S.: A este título, é recente o que a TSF tem vindo a fazer nos últimos jogos do FC Porto (pelo menos na Liga dos Campeões) em que a rádio, em parceria com o jornal O Jogo, junta algumas pessoas numa unidade hoteleira (lá está...) para comentar a partida...

[122] O Clube desta noite...

A cobertura jornalística da pré-campanha para as eleições presidenciais é o tema do próximo Clube de Jornalistas na RTP Dois, com transmissão na 4ª. Feira, dia 7 de Dezembro, às 23 e 30, e repetição no dia seguinte, às 15 e 30. Em estúdio estão os jornalistas Raquel Alexandra, editora política da SIC, e Filipe Luís, editor executivo da revista "Visão", e o professor e investigador de Ciência Política, Manuel Meirinho. Estrela Serrano modera o debate.

domingo, dezembro 04, 2005

[121] Da História dos Media - 02
Em 1791, era publicado na Inglaterra o Observer, o mais antigo jornal dominical do mundo.

sexta-feira, dezembro 02, 2005

[120] Códigos ou histórias por contar

Ao início da tarde, no noticário de desporto da Antena 1:
"...desta manhã, deu para ver que os jornalistas não são muito bem vindos no hotel onde está instalado o Sporting".
O mínimo que se exige em rádio é clareza. Tal como na linguagem coloquial, os códigos só são decifráveis se o meu interlocutor possuir os mecanismos necessários para tal. O jornalista está a falar para uma maioria de pessoas que não pode descodificar aquela mensagem. E fica a dúvida: o que é que o repórter pretendeu com aquela frase? E quem quis atingir?
Era desejável que ele explicasse que, por hipótese, o hotel não deixa os jornalistas fazerem o seu trabalho, impedindo-os de entrar na unidade hoteleira. Ou qualquer outra razão. Porém, não foi nada disso que aconteceu. Ao invés, "disparou" a frase e continuou a relatar a manhã sportinguista como se não tivesse dito nada. Ou há, de facto, um problema entre os profissionais e a unidade hoteleira e, nesse caso, merece que se diga o que se passa, ou então o jornalista não diz nada para evitar precisamente histórias não terminadas.