Estudos Jornalísticos

terça-feira, janeiro 31, 2006

[157] A bela da televisão...
Já não bastava identificar as crianças vítimas de maus tratos. Agora a moda é mostrar imagens de bebés deitados ao lixo. Nas faculdades ensinam uma coisa; nas redacções fazem o oposto.

domingo, janeiro 29, 2006

[156] Crítica literária na imprensa
Tenho acompanhado com especial interesse o debate entre alguns blog sobre a crítica literária nos jornais. O exemplo mais recente é o do confronto de ideias entre o Abrupto e o Esplanar. Hoje, o autor deste último, expõe um post muito interessante sobre o conflito entre quem critica e quem é criticado.
Na imprensa, julgo, o espaço que é concedido a autores, livros e editoras deve, tanto quanto possível, remeter para o mérito, ou seja, o crítico pegou naquele livro por todas as razões menos porque conhece o autor ou dele é amigo e colega. Na imprensa o espaço é, de facto, escasso. Principalmente se pensarmos na quantidade de livros que nos dias de hoje todos os meses são publicados. Escrever num jornal não é apenas um direito, um troféu para exibir. Implica deveres para com quem gasta dinheiro na compra do jornal. Deveres de um mínimo de decência, não andar para ali a enganá-lo gritando-lhe livros que deve comprar e ler por razões dúbias (a maior parte das pessoas nem sabe que aquele livro é de um amigo de quem assina a prosa e, provavelmente, não sabe que o autor do livro também escreve nesse mesmo jornal que ele tem na mão; o trabalho das toupeiras é esse, actuar na sombra, às escondidas dos leitores menos informados).

sexta-feira, janeiro 27, 2006

[155] Moral televisivo
Que moral tem a televisão para "ir para a rua" saber se os "portugueses" conhecem a obra de Mozart, e levando consigo um leitor de cd´s portátil? Originalidade? Isto de tirar conclusões "na rua" tem muito que se lhe diga. Já ocorreu à televisão pensar que a culpa de muitos portugueses terem uma cultura abaixo do razoável (expressa no top ten das audiências) é o reflexo da própria televisão?

segunda-feira, janeiro 23, 2006

[154] Blog do Provedor do Público...
...promete. Ao segundo post, Rui Araújo revela a carta de uma das empresas visadas com o texto de há dois domingos, e de que já falei aqui.

[153] O público edita conteúdos
A história foi publicada no “The New York Times”, traduzido para figurar na edição mais recente da edição portuguesa do “Courrier Internacional”: através dos blogues, o público está a deslocar o centro de gravidade da recolha e apresentação da informação, com consequências para o jornalismo. Em causa estão as notícias que dão conta da publicação de transcrições de conversas feitas com jornalistas em páginas de Internet. Para Jay Rosen, professor de jornalismo na Universidade de Nova Iorque, “neste universo, o público e as fontes editam conteúdos. Dizem aos jornalistas que também são produtores e que, numa entrevista, devem estar em pé de igualdade, já que, como os profissionais da imprensa, produzem temas a partir desse material. Esta atitude passa a ser a norma para qualquer conversa susceptível de gerar polémicas”. Estaremos a caminhar para mais um condicionalismo ao trabalho dos jornalistas? O que é paradoxal é o facto de o seu maior aliado – o público – estar a transformar-se em autênticos “cães de guarda”. O que é preocupante porque, se pensarmos que o jornalismo tem sob si a capa da “verdade” e da “objectividade”, notícias destas demonstram que o público está muito mais atento e que já não acredita cegamente no que lhes é dito pela comunicação social. O que é bom, dizem os teóricos. A este propósito, e ainda a partir do mesmo texto, Danny Schechter, chefe de redacção do MediaChannel.org, afirma que “tornou-se admissível diabolizar o mensageiro; isso gerou um discurso muito grosseiro no qual parece aceitável vilipendiar, desacreditar, deslegitimar e denegrir quem investiga os assuntos, atacar a sua metodologia e imputar-lhes motivações muitas vezes injustas”.

domingo, janeiro 22, 2006

[152] Notícias a partir do nada informativo
Incrível paradoxo: ontem reflectia-se; hoje há confrontos entre populares e a GNR, e há boicotes anunciados que acabaram por não se confirmar.

sábado, janeiro 21, 2006

[151] O Dia em Que a Liberdade de Imprensa É Apenas Um Artigo na Constituição
Não consigo perceber porque é que um telejornal das 13 horas não pode dar notícias sobre o encerramento da campanha eleitoral. Mesmo a ideia de que os candidatos não podem fazer campanha neste dia é absurda. Mas limitar os meios de comunicação social parece-me claramente despropositado, independentemente das razões que possam ser invocadas.
Um jornal é tendencioso? Pode sê-lo durante todo o tempo que quiser até sexta-feira. Os indecisos não descobrem o caminho do voto depois de verem um peça televisiva sobre determinado candidato. E ninguém vai mudar o sentido de voto decidido desde a primeira hora só porque o jornal disse bem do indivíduo.

sexta-feira, janeiro 20, 2006

[150] Memória de 2006 - IV
A aprovação da nova lei da rádio, que alarga a definição de música portuguesa, ao mesmo tempo que impõe quotas entre 25 e 40% (60% no caso da RDP) para a difusão de música nacional.

[149] Memória de 2006 - III
Nomeação de Jorge Wemans como novo director do canal Dois, em substituição de Manuel Falcão. Confirmação a 17 de Janeiro.




[148] Notícias ao minuto...

As comparações noticiosas quantitativas raramente são bem feitas. E as conclusões raramente espelham a realidade. Nos últimos anos, revistas de carácter geral e várias empresas com interesse nos media começaram a ter preocupações em ajustar a teoria à prática e medir qualquer coisa a qualquer preço. Aos estudos comparativos aprofundados, colocados nas prateleiras, a indústria da informação tratou de lhe dar outro andamento e colocá-lo acessível ao grande público de forma "simpática" e simples: a melhor forma de seres lido é escreveres pouco, já dizia alguém pela redacção. O mesmo se passa com o números. Há umas semanas, na sua coluna semanal, Joaquim Fidalgo assinava um texto em que concluía que os jornalistas adoram números. Mesmo que eles não digam nada, acrescento eu. A percentagem é o lead.

O aumento dos estudos comparativos que privilegiam a quantidade têm uma razão de ser: evitam grandes explicações e limitam-se a um tempo curto. No gráfico acima, que retirei daqui, facilmente se conclui que Jerónimo de Sousa foi prejudicado durante aquele período de tempo. Também se pode verificar que o que mereceu mais atenção foi Cavaco Silva, seguido de Mário Soares e Manuel Alegre.

(O modelo "sondagens" tem ganho uma expressão, na maioria das vezes, exagerada face ao que se passa realmente no terreno. É certo que o falhanço de algumas projecções em escrutínios anteriores (por exemplo, Rui Rio nunca teria ganho a Fernando Gomes) levou a que as empresas responsáveis tenham um maior rigor nos dados que divulgam (tal como disse em editorial de quinta-feira o director do Público, José Manuel Fernandes). Mas será que há uma modificação na atitude de voto depois dos resultados de uma sondagem? Não creio.

Contudo, elas fazem parte do quotidiano de uma campanha eleitoral. Não são apenas sondagens para o grande público, que a elas acedem através dos meios de comunicação social, como também mandadas executar pelas próprias candidaturas. A título de exemplo, há 10 anos, Cavaco Silva concorria contra Jorge Sampaio. Na altura, as sondagens eram muito mais favoráveis ao ex-presidente da Câmara Municipal de Lisboa do que ao antigo primeiro-ministro. Mesmo desvalorizando-as, Cavaco lá avançou com um "tenho uma sondagem que me dá vitória". O resultado real não confirmou as supostas previsões do homem que hoje aparece acima dos 50%.

O Diário de Notícias fez algo de muito interessante: publicou sondagens diárias, apresentando-as como forma de comparar a evolução da campanha dos 6 candidatos. Tenho grande relutância em aceitar que estes formatos "light" funcionem no sentido de fazer alterar o modo como se planeiam as acções de campanha. O número de entrevistados diariamente foi muito reduzido, que, a ser levado a sério, facilmente serviria para se tomar decisões muito superiores à importância da sondagem.)

O aumento desordenado dos "estudos comparativos" só tem um caminho: contribuir para a descredibilização da investigação nesta área. Porque, da mesma forma que é possível dizer "as televisões deram mais tempo de antena a Cavaco Silva", também se pode acrescentar que "as televisões são anti-candidatos da esquerda", quando na realidade nada disso pode correponder à verdade. É no domínio das conclusões que está o maior perigo, porque nem sequer é possível dizer que as televisões influenciam a decisão dos eleitores (estudos nos Estados Unidos há mais de meio século provaram-no).

[147] A Paróquia já tem Governo...

quarta-feira, janeiro 18, 2006

[146] O Público, a Publicidade e o Novo Provedor
Depois de ter falado aqui sobre os textos de Carlos Sousa e Margarida Pinto Correia durante o Lisboa-Dakar, eis que o novo provedor do Público aborda a questão na sua coluna dominical. Antes de mais, Rui Araújo separa o texto do Carlos Sousa do de Margarida Pinto Correia. É discutível, mas foi esse o modelo seguido. “São textos complementares e, servindo aos seus patrocinadores, também acrescentam valor ao que no conjunto o jornal oferece diariamente”, começa por afirmar José Manuel Fernandes. O director foca um aspecto muito relevante e que concorre para o facto de não aparecer qualquer menção a “Publicidade”: de facto, nas fotografias dos jogos de futebol, por exemplo, também constam marcas publicitárias e não faz sentido implicar por isso. Mas se isso é assim mesmo, não se pode comparar o evento desportivo com um artigo de opinião (crónicas). JMF diz que “ou não noticiamos, ou assumimos que a publicidade faz parte da paisagem. O público leitor ou espectador já sabe que é assim”. Não concordo mesmo nada com a justificação - parece de mau perdedor. Sobre a Margarida Pinto Correia, JMF afirma que “os textos correspondem a um diário de tipo diferente, com um estilo mais próximo do jornalístico, mas como que integrados no espaço de um anúncio pago”. O problema, a meu ver, surge com a resposta a seguir: “Para diminuir confusões, tivemos mesmo o cuidado de acrescentar a indicação de que ela viaja paga pela marca x, o que até pode parecer redundante, mas pareceu-nos tornar o estatuto mais claro para o leitor...”. Se à partida se sabe que pode ser confuso, por que não colocar a indicação de “Publicidade” em cima da rubrica? O próprio JMF entra em contradição quando refere, de seguida, que “pareceu que a separação era graficamente clara”. Ou seja, primeiramente, pode haver confusão; depois, a situação já é clara. Aqui, Rui Araújo esteve bem, ao relembrar ao director do Público aquilo que diz o Livro de Estilo. A terminar o texto, o novo provedor deixa um conselho: “O Público começar a assinalar todos os anúncios (sem excepção) como “PUBLICIDADE”, para evitar promiscuidades”.
João Paulo Meneses aborda o assunto aqui.

sexta-feira, janeiro 13, 2006

[144] E agora, uma errata original...
"Na última edição, no editorial, no 7º parágrafo, onde se lia "uma amora de esperança a reduzir nos trilhos dos seus caminhos", deveria ler-se "uma aurora de esperança a reluzir nos trilhos dos seus caminhos". As nossas desculpas aos estimados leitores".
Jornal "Povo de Fafe", dia 13 de Janeiro de 2006

quinta-feira, janeiro 12, 2006

[143] Sobre "Rádios locais para quê?"
O jornalista José Manuel Rocha escreve um texto no Público, na rubrica "Ouvido", em que questiona a importância das rádios locais no que diz respeito à sua vertente informativa. Antes de mais, convém frisar que conheço a realidade de que escreve JMR, uma vez que trabalho onde ele vive. E, no que diz respeito à teoria, concordo. Sei como funciona a lógica do trabalho nas rádios locais, mas também sei em que condições. Nada disto desculpa os jornalistas - ou as direcções - de não fazerem directos. Que se justificavam, diga-se de passagem. O que terá acontecido (e isto é apenas a minha interpretação) foi que, como a equipa de futebol jogava à tarde, as rádios optaram por falar da Assembleia nessa altura. Não ouvi a emissão de nenhuma das rádios porque soube o que aconteceu naquela reunião magna através dos meus colegas. Mas acredito que, tal como o JMR, muita gente tenha ficado desiludida com a prestação dos órgãos de informação locais. Embora, volto a frisar, há coisas que não são totalmente explicáveis se não se focar os aspectos que estão à margem e que contribuem decisivamente para a sua compreensão.

quarta-feira, janeiro 11, 2006

[142] Já se suspeitava...
"Os jornalistas são na maioria contra Cavaco, mesmo que os proprietários e directores dos jornais sejam favoráveis a Cavaco". Eduardo Prado Coelho, no Público.

[141] O Clube desta noite...

domingo, janeiro 08, 2006

[140] Memória de 2006 - II
O regresso da figura do provedor dos leitores ao Público, desta vez com Rui Araújo.

quinta-feira, janeiro 05, 2006

[139] Memória de 2006 - I
A morte de Carlos Cáceres Monteiro, a 3 de Janeiro. Biografia:
Presidente do Sindicato dos Jornalistas entre 1977 e 1980, Carlos Cáceres Monteiro nasceu em Lisboa a 9 de Agosto de 1948. Iniciou a sua carreira de jornalista como repórter nas revistas “Flama” e “Século Ilustrado”, tendo sido também subchefe de redacção em “A Capital” e editor de política nacional do “Diário de Notícias”. Foi correspondente em Lisboa da revista espanhola “Câmbio 16” e director do jornal “Sete”. Co-fundador, em 1975, do semanário “O Jornal”, de que foi director-adjunto, viria a fundar em 1993 a revista “Visão”, da qual foi director até ao ano passado, altura em que assumiu funções como director editorial do grupo Edimpresa, ao qual pertence aquela newsmagazine . Como repórter de guerra, cobriu diversos conflitos entre 1975 e 2003, caso da Guerra em Angola, da Guerra do Golfo, da Guerra do Iraque, do conflito israelo-árabe, de conflitos armados na América Latina, e esteve ainda presente no Cambodja aquando da libertação dos khmers vermelhos. As suas reportagens na China valeram-lhe o Prémio Gazeta 1985, do Clube de Jornalistas, e em 2002 recebeu o Grande Prémio de Jornalismo de 2001, do Clube Português de Imprensa. Fora do jornalismo, trabalhou em 1984 e 1985 com o então primeiro-ministro Mário Soares, ocupando o lugar de Director-Geral da Comunicação Social, e foi posteriormente analista político regular na RTP, SIC Notícias, TSF e Antena 1 (RDP). Publicou vários livros de reportagem e ficção, entre os quais “Angola, País de Vida ou de Morte” (1975), “Fast Lane” (1984), “O Mundo em AZERT” (1985), “China, Contra-revolução Tranquila” (1986), “Amazónia Proibida” (1987), “Apogeu e Queda de Bernardo Malaquias” (1989), “O Enviado Especial” (1991), “Mistérios da Amazónia - Cadernos de uma Expedição nas Guianas e no Brasil” (2002), em co-autoria com Jacinto Rego de Almeida, e ainda “Hotel Babilónia” (2004), onde reuniu as suas experiências de jornalista-viajante.

[138] Géneros Jornalísticos ou Publicitários?
Com o início do Lisboa-Dakar, o Público decidiu presentear os seus leitores com duas crónicas nas páginas de desporto: uma de Margarida Pinto Correia, outra de Carlos Sousa. Os textos são autênticas mensagens publicitárias, sem qualquer indicação de que o são de facto. A cara dos dois cronistas aparecem depois da publicidade que serve de cabeçalho ao texto. A página em questão apenas contém uma notícia, curiosamente acima da publicidade que "patrocina" o texto que surge ao lado, da autoria de Margarida Pinto Correia.
Em tom de crítica ("para despertar"): alguns bloggers, tão solícitos a discutir estes assuntos noutras ocasiões, ainda não gastaram um minuto para escrever sobre isto. Pelo menos que me tenha apercebido.

[137] Começa mal o ano...
... quando dois candidatos presidenciais (Jerónimo de Sousa e Mário Soares) se preocupam mais com as sondagens e com os alegados favorecimentos a outra candidatura. Das duas, uma: ou é verdade e então esclareça-se o assunto; ou, é mentira, e peça-se desculpa. Não me acredito que haja algum profissional que beneficie uma candidatura em prol de outra. Pelo menos, custa-me a acreditar. Os jornalistas acompanham um político e contam a sua versão dos acontecimentos passados durante o dia. Se o problema situa-se ao nível das chefias, então Jerónimo e Soares devem dizê-lo claramente, em vez de colocar nos jornalistas as supostas de culpas de uma suposta parcialidade.

quarta-feira, janeiro 04, 2006

[136] O Clube desta noite... debate a importância da reportagem