Estudos Jornalísticos

domingo, setembro 24, 2006

[222] A Fábrica do Público
O Público está imparável e parece apostar mais nos produtos que associa ao jornal do que propriamente à publicação. Depois dos Lugares Mágicos e da História de Portugal, eis mais uma campanha de "brindes": DVD´s dos filmes da loira mais famosa do mundo. Tudo isto anunciado no espaço de duas semanas! Compreende-se: tendo em conta a vaga de despedimentos que atingiu o jornal, é mais fácil gastar tinta com promoções do que pagar a jornalistas para fazerem o seu trabalho.

sexta-feira, setembro 22, 2006

[221] À ATENÇÃO...
Ouvi, por estes dias, na Antena 1: "...afirmou Carlos Pereira, presidente do Marítimo, que ontem completou 96 anos de vida.". Como é evidente, não foi Carlos Pereira quem comemorou 96 anos, mas sim o clube madeirense. Ainda assim, não é passível de provocar "ruído"?

quinta-feira, setembro 21, 2006

[220] PROFECIA SOBRE O FUTURO DO JORNAL
Graças a uma cada vez maior ligação à Internet e ao aumento exponencial de leitores de jornais gratuitos, o futuro do jornal vai contribuir para a info-exclusão: os jornais de referência vão apostar em tiragens mais baixas, gratuitos, mas com pouca informação, ou informação para “apimentar” o leitor. Quem quiser saber mais sobre o assunto, paga o acesso aos conteúdos no site próprio.

[219] COISAS POSITIVAS
A reportagem emitida ontem à noite, em horário nobre da RTP 1, sobre os militares que combateram - e morreram - na Guerra Colonial, é a prova de que é possível ser alternativa aos canais privados, que lutam entre si com programação de qualidade muito duvidosa.

quinta-feira, setembro 14, 2006

[218] PROPOSTA
Agora que Portugal tem três equipas na Liga dos Campeões e que, por via disso, sempre que ocorrerem jogos dessa competição, dois clubes vão jogar à mesma hora, seria benéfico a obtenção de um acordo entre as rádios. Ontem, por exemplo, durante boa parte do tempo, as três estações radiofónicas nacionais que transmitiram os encontros estiveram a relatar precisamente o mesmo jogo, e quando alternavam de campo, geralmente faziam-no ao mesmo tempo. Faz algum sentido? Não. Por isso me parece importante reflectir sobre esta nova realidade do desporto futebolístico, a bem do ouvinte.

segunda-feira, setembro 11, 2006

[217] A GAFFE DO PÚBLICO
Não se pode admitir a um jornal como o Público a enorme gaffe que cometeu hoje na sua primeira página: “Dentro de 100 anos ainda vamos pensar que o 11 de Setembro mudou o mundo?”. Na página 6, numa notável peça assinada por Alexandra Prado Coelho pode ler-se: “Em 2206 ainda vamos pensar que o 11 de Setembro mudou o mundo?”. Um título com uma pequena diferença de um século…

[215] “EM NOME DO OUVINTE”
É ainda cedo para se tirar conclusões acerca do novo programa do provedor do ouvinte, que estreou este sábado, na RDP - Antena 1. Contudo, não queria deixar passar o primeiro post radiofónico de José Nuno Martins sem fazer três referências:
1. Depois de explicadas as regras de funcionamento do programa, JNM centrou-se numa suposta parcialidade de um jornalista, a propósito da recente guerra entre Israel e o Líbano. Desde logo, procurou gravar uma declaração da ouvinte, o que só confere um maior grau de credibilidade à mensagem – isto apesar dela viver em Paris. Em causa estava uma reportagem sobre o Hezbollah e uma suposta “simpatia” que a ouvinte teria pressentido por parte do repórter em relação àquela organização. O provedor explicou, de uma forma pragmática, o carácter “instável” do ouvinte, mas deixou indicações, quer ao jornalista quer ao director de programação, para que no futuro tenham em atenção “o outro lado do conflito”.
2. Num segundo ponto, JNM sentiu necessidade de retratar-se. De acordo com o que disse, a caixa de correio do Provedor recebeu cartas e e-mails de ouvintes que lhe questionavam a passagem exaltada por um programa desportivo da Antena 1, em que defendia um clube de futebol. Independentemente de tudo o que se tenha passado nesse programa, não vejo em que é que a figura do Provedor possa colidir com o ter sido comentador desportivo – ou de outra natureza – em momentos anteriores. Ainda assim, penso que JNM fez bem em explicar a situação, mas pecou por não querer (?) ouvir os “queixosos”.
3. Em suma, José Nuno Martins começou bem e julgo que o tom adoptado é o ideal: calmo, explicativo e dinâmico. Não é isso que se espera de um Provedor? Falta conhecer agora aquilo que Paquete de Oliveira tem para mostrar.

sábado, setembro 09, 2006

[214] JORNALISMO A CONTA-GOTAS
Quarta-feira: o DN pegou nas escutas telefónicas a personalidades ligadas ao Apito Dourado e publicou-as. Foi um sucesso: a notícia abriu telejornais. No dia seguinte, a mesma história com protagonistas diferentes, o mesmo jornal. Na sexta-feira e no sábado, o Público fez exactamente a mesma coisa, primeiro com Luís Filipe Vieira, hoje com Pinto da Costa. A força do jornalismo a conta-gotas é a prova provada de que o jornalismo de investigação morreu.

quinta-feira, setembro 07, 2006

[213] A SEMANA IRADA DE PRADO COELHO
Eduardo Prado Coelho teve uma semana em grande. Depois de se insurgir contra O Independente, acabou com um processo em tribunal por chamar "mentecapto" ao presidente do Gil Vicente. Hoje, pediu desculpa numa nota de rodapé. Será que António Fiúza vai perdoar ao professor? Ou será que o presidente do clube de Barcelos descobriu que a missão da sua vida é passar o tempo a meter processos contra qualquer coisa que mexa?

[212] CEDÊNCIAS ÉTICAS A BEM DO GRUPO ECONÓMICO
Entre um zapping claramente azarado em horas tardias de telejornais, deparo-me com o rodapé no noticiário da TVI: "Aulas começam no Colégio da Barra" - série Morangos com Açucar, blá, blá, blá, aquelas coisas que toda a gente sabe. Sempre pensei que um telejornal (ou radio-jornal, ou jornal) fosse um espaço de informação. Pelos vistos, e já há muito tempo que é assim - e sem que ninguém se preocupe muito -, é mais um lugar para fazer entretenimento. Até as notícias, de repente, passam a ter como única função a de distrair os telespectadores, assumindo os responsáveis pela informação e programação (quero excluir os jornalistas) que eles não estarão interessados nisso.
Como é evidente, cada um faz aquilo para que lhe pagam, mas não acredito que "lá no fundo" algum jornalista que goste da profissão que tem, se sinta confortável em terminar um telejornal a dizer: "a série que conquistou os portugueses", ou, "a novela de maior êxito em Portugal", ou, "as aulas começam no Colégio da Barra".

terça-feira, setembro 05, 2006

[211] JORNALISTAS E DATAS
Que os muçulmanos se instalaram na Península Ibérica, com maior incidência no sul do território, não é novidade para ninguém. E ainda que não se saiba exactamente a data em que foram “convidados a sair”, tal não será difícil de descobrir. Vem isto a propósito de uma reportagem emitida esta noite no Jornal Nacional, na TVI, sobre um achado arqueológico em Aljezur. Nada menos do que seis mesquitas “todas viradas para Meca”, dizia o jornalista. O mesmo jornalista que minutos antes afirmava que “há mais ou menos 600 anos os muçulmanos andavam por aqui”. Bem, há 600 anos, significa 1400 (e mais uns trocos). Se o jornalista raciocinasse um pouco nptaria que nessa data Portugal estava a preparar a Expansão e que o Algarve – como peça final do puzzle – foi conquistado aos mouros em 1249 sob o reinado de D. Afonso III. Ou seja, mais de 150 anos antes do que os tais “600 anos”, data apontada pelo repórter para os muçulmanos andarem a construir mesquitas no sul do país.

[210] A PRONTIDÃO DA TELEVISÃO PÚBLICA
No regresso do fogo ao Parque Nacional da Peneda-Gerês, a RTP evitou mais um confronto com Eduardo Cintra Torres e lá deu destaque suficiente ao incêndio. Para azar do próprio crítico – que, na minha óptica, tem clara razão embora não concorde com o tom com que o fez –, o fogo voltou à carga como se uma dádiva à RTP se tratasse. Mas, fica a questão: se na altura do grande incêndio, a estação pública não entendeu haver interesse para o dar em destaque, como se justificam agora os directos e a abertura de noticiários?

[209] NOVA CARA NOVO ESPÍRITO
Com cara lavada e com maior assiduidade.