Estudos Jornalísticos

segunda-feira, setembro 11, 2006

[215] “EM NOME DO OUVINTE”
É ainda cedo para se tirar conclusões acerca do novo programa do provedor do ouvinte, que estreou este sábado, na RDP - Antena 1. Contudo, não queria deixar passar o primeiro post radiofónico de José Nuno Martins sem fazer três referências:
1. Depois de explicadas as regras de funcionamento do programa, JNM centrou-se numa suposta parcialidade de um jornalista, a propósito da recente guerra entre Israel e o Líbano. Desde logo, procurou gravar uma declaração da ouvinte, o que só confere um maior grau de credibilidade à mensagem – isto apesar dela viver em Paris. Em causa estava uma reportagem sobre o Hezbollah e uma suposta “simpatia” que a ouvinte teria pressentido por parte do repórter em relação àquela organização. O provedor explicou, de uma forma pragmática, o carácter “instável” do ouvinte, mas deixou indicações, quer ao jornalista quer ao director de programação, para que no futuro tenham em atenção “o outro lado do conflito”.
2. Num segundo ponto, JNM sentiu necessidade de retratar-se. De acordo com o que disse, a caixa de correio do Provedor recebeu cartas e e-mails de ouvintes que lhe questionavam a passagem exaltada por um programa desportivo da Antena 1, em que defendia um clube de futebol. Independentemente de tudo o que se tenha passado nesse programa, não vejo em que é que a figura do Provedor possa colidir com o ter sido comentador desportivo – ou de outra natureza – em momentos anteriores. Ainda assim, penso que JNM fez bem em explicar a situação, mas pecou por não querer (?) ouvir os “queixosos”.
3. Em suma, José Nuno Martins começou bem e julgo que o tom adoptado é o ideal: calmo, explicativo e dinâmico. Não é isso que se espera de um Provedor? Falta conhecer agora aquilo que Paquete de Oliveira tem para mostrar.